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MARÇO
DE 2006
Quem é vivo sempre aparece
ou... socorro! nunca mais vou dormir!
07/03/06: O ViaCrux e o InfoSalinas terminaram o ano de 2005 dizendo que voltariam a ser atualizados em "meados de Janeiro". Que nada! Maior caô, vocês devem estar pensando. Em meados de Janeiro, no entanto, o webmaster sofreu uma horrenda lesão em um tendão do ombro esquerdo, que, junto com uma bursite maligna, o fez entrar numa estranha e terrível crise existencial. Resultado: longe da rocha e do site, só restou ao pobre webmaster cair na mais desavergonhada esbórnia na noite carioca, onde ele poderia afogar suas mágoas e esquecer mais um triste e longo mês longe de escaladas.
Tomado por uma dor na consciência enorme, devido a crescente quantidade de novidades e material que entravam em sua caixa postal, o webmaster bem que tentou colocar a mão na massa, porém uma força sinistra o impedia de chegar perto do computador para atualizar a página. A culpa aumentava com o passar do tempo, na mesma proporção em que aumentava a boemia desenfreada. Até que um dia ele resolveu dar um basta, pegar suas coisas, colocar tudo dentro do carro e ir embora passar o Carnaval nos Três Picos de Salinas, onde ele encontraria paz, tranquilidade, introspecção e... oh, não! muita cerveja!!!
Tudo bem, até que não foi tanta assim, e desse modo, o webmaster conseguiu voltar são e salvo. E isso com uma agenda social intensa no vale: jantares no restaurante de trutas (a melhor do MUNDO) com cerveja de garrafa (!), galera do Refúgio das Águas (onde pude contar com a hospitalidade e eterna gentileza da Rô; Sérgio Tartari está no momento na Patagônia), galera do Refúgio Pedra Solta e até mesmo almoço e rolé pela incrível Fazenda Campestre (que fica lá do outro lado do vale na parte baixa).
E escalada que é bom? Nada! Com o ombro ainda ruim, dessa vez o webmaster só via de longe as paredes com inveja dos outros escaladores. Equipo de escalada não saiu do carro, ficou lá guardadinho na sombra dentro da mochila. Pelo menos rolou um cume esperto no Cabeça de Dragão, pois é quase pecado mortal ir a Salinas e não fazer nem um cumezinho sequer.
Bom, chega de conversa fiada. Resumindo: agora que o ano finalmente começou com o fim do Carnaval, tomei vergonha na cara e começei os trabalhos de 2006. E olha que ainda tem o lendário Guia de Boulders da Urca... parece que o ViaCrux vai parir um outro filho em 2006. O InfoSalinas vai ter irmãozinho.
E tenho impressão que nunca mais vou dormir !!!
[Início]
Ginásio de Escalada da
Gláucio Agarras, novidade na serra
08/03/06:
Novidade na Serra: dia 7 de janeiro passado,
foi inaugurado em Petrópolis o Ginásio de Escalada da Gláucio
Agarras, o maior muro do Estado do Rio de Janeiro (já era tempo,
um dia chegamos lá!), com 300 m² e pé direito com 9
metros de altura. O ginásio foi elaborado pensando em atender o
público escalador existente, bem como o que está pensando
em praticar escalada, seja ela indoor ou outdoor.
E uma outra boa novidade: as dimensões, angulações
e segurança das áreas escaláveis irão permitir
a realização de campeonatos locais, estaduais e nacionais.
E isso em um ambiente bem legal, pois o ginásio se em encontra
em meio a uma área verde de eucalipitos e árvores frutíferas
em um terreno com mais de 8.000m² cravado na serra de Petrópolis.
Melhor do que isso, só um murinho particular aqui do Rio que fica encravado nas encostas da Favela do Escondidinho!
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Ginásio
de Escalada da Gláucio
Agarras |
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| Endereço |
Rua
19 de Junho, nº 160, Bairro Valparaíso, Petrópolis,
RJ |
| Referência | A rua que vai para o Batalhão. |
| Telefone |
(24)
2237-0821 & (24) 9965-1182 |
O muro conta ainda com aréa para boulder, 6 pontos de top rope, 76 pontos de costura, teto maior com 3,50m x 5,00m, inclinações diversas, rampa negativa maior com 11m de avanço e mais de 3.000 agarras iniciais. A infraestrutura do ginásio inclui salão de palestras e cursos, sala de vídeo e informativos, cantina e vestiário.
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E não deixem de conferir os produtos da Gláucio Agarras!
[Início]
Orangorock (8c) à vista
e sacando
08/03/06: Dia 22/01 passado, o niteroiense Caio Gomes encadenou a clássica via Orangorock (8c) na Falésia dos Primatas no Jardim Botânico, aqui no Rio de Janeiro. Até aí nada demais se não fosse pelo fato de que o escalador entrou na via somente para dar uma trabalhada depois de um tempo parado. Resultado, sem aquecimento e frio, Caio mandou a via à vista e sacando as costuras.
"Confesso ter ficado bastante surpreso", disse Caio, "até esperava sair da falésia com a cadena, mas não desse jeito." No mesmo dia ele ainda isolou os lances da forte Lula Lelé (9c), onde se encaixou bem em duas entradas na via. Na primeira, ele equipou a via e isolou bem os lances. Já na segunda entrada, foi direto até a 4ª costura, passando do crux. "Estou muito animado pra voltar lá", completa. "Quem sabe não será meu primeiro 9c? Camon!!!"
Quem não conhece a Falésia dos Primatas e os boulders dos arredores, vale muito a pena conferir o que os Primatas tem de melhor a oferecer. O local é de facil acesso e por ser dentro da floresta, tem clima geralmente agradável. Uma ótima opção pra fugir do calor infernal desse verão carioca, ainda mais porque no final do dia sempre rola aquela cachoeira esperta, bem perto da falésia.
Não deixem de consultar o excelente guia virtual do point, o Primatas Online.
E confiram mais Caio Gomes no InfoSalinas de hoje na seção de NOTÍCIAS do informativo (artigo de hoje: Só de Passagem em Salinas...).
Caio Gomes tem patriocinio da Snake, LeChen, VDoze, Mr. Rock, Kioshi Terapias Orientais e BY.
[Início]
Thiago Balen e a Directa Challenger:
primeiro 11a encadenado por um brasileiro
09/03/06: Era questão de tempo. Talvez não tenha saído mais cedo, pois ainda infelizmente não temos um território nacional uma via com esse grau, mas finalmente saiu: um 11a encadenado por um brasileiro. Uma das fúrias da escalada do Rio Grande do Sul, o caxiense Thiago Balen de 24 anos conseguiu a proeza no Valle Encantado — incrível point de escalada localizado a 60 km de Bariloche na Argentina — realizando a primeira cadena de um projeto local, a via Directa Challenger.
Thiago
Balen adiou essa viagem por um longo ano: não pôde por motivos
de força maior participar do Projeto Argentina 2005, em
companhia do petropolitano Fábio Muniz. Em seu lugar acabou indo
o também gaúcho Vinicius Todero (N.E. Leiam na seção
ARTIGOS
do dia 29/03/2005 o artigo referente ao projeto).
A espera de um ano pelo visto valeu muito à pena.
Um dos escaladores esportivos mais fortes do Brasil, Thiago tem no currículo a repetição das vias mais difíceis do país: Coquetel de Energia (10c), Mr. Bill (10c) e Massa Crítica (10c), todas no Rio de Janeiro. E antes de partir para a feliz viagem a Argentina, ainda encadenou uma outra e nova via de 10c, a Sombra e Escuridão Karma, que fica na Gruta da Terceira Légua em Caxias do Sul, considerada a meca da escalada esportiva gaúcha.
Com esse currículo invejável no bolso, ele se mandou de Porto Alegre no dia 23 de dezembro passado, rumo a terras argentinas a bordo de Parati velha de guerra e em companhia dos escaladores Sílvia Marcon, Antônio Nery e Odilei Medeiro (leia aqui o relato da viagem feito pela Silvia Marcon na página da AGM).
A viagem rendeu bons e inesperados frutos para Thiago, como a lista de cadenas abaixo pode provar:
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Via |
Estilo |
Grau |
Local |
| Ritual Primata | À
vista |
9c |
Cânion
de Las Buitreiras, Argentina (fica a uns 350 km de
Bariloche, em pleno deserto patagônico). |
| Ojos de Buda | À
vista |
10a |
|
| Directa Challenger | 8a
tentativa (1a ascenção) |
11a |
Valle
Encantado, Argentina (63 km a noroeste de San Carlos de Bariloche pela RN 237) |
| Buen Viaje | 2a
tentativa |
10c |
|
| 19 noches e 500 dias | 2a
tentativa |
10a |
|
| Chococroco | 2a
tentativa |
9c |
|
| Navawaliki | À
vista |
9b |
|
| Palta | 2a
tentativa |
9b |
A
cadena da Directa Challeger saiu praticamente no susto. Em e-mail
enviado no dia 26 de janeiro, Thiago escreveu para Sílvia, que
havia voltado mais cedo para o Brasil, contando novidades da Argentina
e terminou dizendo:
"E agora achei sarna para me coçar, uma aresta única
e linda, projeto de 8b+/8c (palavras de Stefan Glovacz), conquistada por
Pere Vilarasau, um espanhol que vive aqui um excelente escalador e de
impressionante "buena onda". Conheci seu filho Anuk de 2 anos
com uma sapatilhinha muito legal! Sobre a via, ela é sem dúvida
a mais dificil que provei, pois não tem descanso bom e tem 35 m,
além de que ela tem uma seqüência de quase 20 movimentos
sem conseguir passar magnésio, muito menos costurar. Pulo duas
costuras. Não sei se vou conseguir mandar, vai ser uma batalha
muito alucinante, vou ter que dar o sangue em muitas passadas."
Não teve que gastar tanto sangue assim, dias depois no final do
mês ele consegue encadenar a via com apenas 8 tentativas.
"A cadena da Directa Chalenger foi algo impressionante, nunca exigi tanto da mente e do corpo", fala Thiago sobre a via. "Não costurei a ultima costura antes da cadena, coloquei pra jogo e passei batido, tipo tudo ou nada, um esticão de 5m ou mais e as proteções não são perto.”
E incansável, Thiago Balen ainda encontrou tempo nos dias 18 e 19 de fevereiro para faturar o 2º lugar na Categoria Elite do 13º Rock Master Frey 2006, a competição de escalada esportiva mais tradicional da Argentina, que reune vários escaladores nas rochas nos arredores do famoso Refúgio Frey, situado aos pés da igualmente famosa Agulha Frey.
Depois de todo o seu desempenho em terras argentinas, bem que merecia um primeiro lugar, mas coitado do nosso amigo do Sul, devia estar cansado depois de tanto esforço e sangue! Tudo bem, damos um desconto só por isso e te perdoamos, 2º lugar está de bom tamanho.
E a pergunta que não quer calar: e quando vai rolar o primeiro 11a em terras brasileiras?
Thiago Balen é gaúcho de Caxias do Sul, escalador e é patrocinado pela Bigwall, Equinox e Solo.
|
PAREM
AS MÁQUINAS: Terça-feira passada, o americano
Chris Lindner,
velho conhecido nosso das revistas Climbing da vida, fez em 2
dias de trabalho a primeira repetição da via Directa
Challenger. U-hu! No mesmo dia, depois de ter mandado recentemente o projeto Reaccion Indirecta (11a/11b), também do escalador Pere Vilarasau e provavelmente a via mais difícil da Argentina, o também conhecido francês Alex Chabot resolveu também tentar a via e... à vista! E não é que mandou mesmo? Incrível! Lindner e Chabot discutiram o grau da via e concordaram que se tratava de um "petit 11a" e cotaram a via em 10c/11a. Pequeno 11a? Então tá. O tempo que trate de consolidar as coisas. |
Colaboração:
Sílvia Marcon & Odilei Medeiro
Outras fontes: 8a.nu,
Kairn.com & Pirca.com
[Início]
10/03/06: No próximo dia 21, o Centro Excursionista Carioca, o CEC, completará 60 anos de sua fundação e de muitas histórias. Para isso uma grande festa de comemoração está programada para esse famoso e digno sexagenário no Salão Náutico do Clube de Regatas Guanabara (CRG), em Botafogo.
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60
anos do CEC
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| Local |
Salão
Náutico do Clube de Regatas Guanabara (CRG) |
| Endereço | Av. Repórter Nestor Moreira, nº 42 - Botafogo, Rio de Janeiro |
| Data / Hora | 17/03/06 às 20:30 hs |
| Preço | R$20,00 |
| Venda
Convites |
Sede
do CEC: Rua Hilário de Gouveia, nº71 / 206 - Copacaba,
Rio de Janeiro |
| Telefone | Tel: (21) 2255-1348 |
| Venda
Convites |
Sede
do CEC: Rua Hilário de Gouveia, 71/206 - Copacaba, Rio de
Janeiro |
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ATENÇÃO:
As Reuniões Sociais na sede acontecem todas as quintas-feiras
à partir das 20:30hs. |
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Fundado em 1946 por um grupo de adolescentes capitaneados por Ricardo Menescal, o CEC transformou-se ao longo dos anos, no mais importante clube de escalada em rocha do Brasil. Das caminhadas pela Serra da Carioca e das atividades recreativas praieiras, quando a vida social era mais intensa, o clube passou gradativamente a difundir escalada em rocha e como conseqüência disso conquistar inúmeras vias.
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Em 1948, o clube conquista sua primeira via, o Paredão Carioca. Em 1949 começa a conquista da Chaminé Galloti, empreitada que levaria cinco anos para ser concluída. Em 1952 consegue sua primeira conquista internacional (viriam outras), o Paredão La Torre, na Bolívia. Em 1953 leva a sua flâmula e a bandeira do Brasil ao cume do Pico do Aconcágua, feito notável na época, levado a cabo por Ricardo Menescal e Orlando Lacorte.Nas décadas seguintes continua na vanguarda, conquistando vias clássicas e de grau elevado, tais como o Paredão Secundo Costa Neto, o Lagartão, o Pico da Foca, a Chaminé Cachoeiro, Face Sul do Garrafão, entre outras.
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E outras vias de destaque, algumas verdadeiros clássicos nos mais diversos estilos de escalada: Roda Viva, Fissura do Inglês, Paredão C-100, Pontão do Sol, Rodolfo Chermont, Aquarius, Pássaros de Fogo, Urbanóide, Aves de Rapina, Cavalo Louco, Limiar da Loucura, Paredão Paraíso Perdido (P3), Tragados Pelo Tempo, As Lacas Também Amam, Cão Danado, Os Intocáveis, Caixa de Pandora, e mais recentemente Invasões Barbaras, Sambalele e Feios, Sujos e Malvados.
Sempre contou em seu quadro social com escaladores intrépidos que muito contribuíram para o crescimento do esporte, como Tadeusz Hollup, os irmãos White, Jean Pierre van der Weid, Rodolfo Chermont e Eugênio Epprechet. A cada nova geração sempre apareciam ótimos escaladores. Na década de 80, ocorre um fenômeno raro: vários escaladores arrojados e com alto nível técnico surgem ao mesmo tempo: Alexandre Portela, Sérgio Tartari, Sérgio Poyares, Sérgio Bruno, André Ilha, Marcelo Ramos, Marcelo Braga, e outros, escaladores estes que até hoje figuram entre os melhores do país, e que conquistaram dezenas de vias para o CEC. E a saga continua com a nova geração de escaladores do clube.
Hoje, o CEC continua um clube amador, mantendo a essência de um clube de montanha, não esquecendo de seu passado e preservando sua memória viva.
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Muitas
das vias aqui citadas podem ser conferidas em croquis mais atualizados
nos excelentes Guia de Escaladas da Urca e Guia de Escaladas da Floresta da Tijuca a venda em lojas especializadas. |
[Início]
Conexão Nova Iguaçu,
novas escaladas lupercínicas
10/03/06: [Por Luciano "Lupa" de Araújo] Dia 27 de outubro pode ser lembrado por fatos históricos marcantes na história de nossas montanhas e da escalada como um todo. Há 93 anos atrás, neste mesmo dia, foi inaugurado o primeiro trecho do Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, entre o Morro da Babilônia e o Morro da Urca. Trata-se de uma obra fantástica que possibilitou o acesso de milhares de visitantes a esse morro, já então famoso por sua beleza e localização únicas, que junto ao Pão de Açúcar compõe parte importante da paisagem carioca.
No entanto, foram necessários mais 93 anos após esse fato para que nesse mesmo dia 27 de outubro, agora em 2005, pudesse ocorrer outro fato de igual magnitude: a primeira viagem de trem pelo subúrbio carioca munida de crashpads ! Pois é, foi neste dia em que eu e o escalador Bernardo Cruz, o Nado, resolvemos definitivamente desbravar as temíveis matas de Nova Iguaçu em busca de motivação e rochas novas.
Tratava-se
provavelmente da primeira expedição à região
visando o bouldering. É isso mesmo que você está
pensando! São 30 minutos de metrô até a Central, mais
uma hora de trem até Mesquita, mais quarenta minutos de caminhada
até o Parque Municipal de Nova Iguaçu, mais uma hora de
trilha até os boulders. Três horas de viagem sendo tudo isso
de crashpad (aquele pequeno colchão de quedas) nas costas!
A este ponto você já deve estar se coçando para dar
um pulo lá e conhecer o que o município de Nova Iguaçu
tem a oferecer, mas como diriam os comercias de televendas: “mas
espere isso não é tudo...”.
Como geógrafo que sou, sinto-me na obrigação de situar
o lugar o qual me refiro antes de tudo.
Como percebe-se na imagem de satélite abaixo , há três
manchas verdes escuras. Tratam se dos três grandes maciços
da cidade: o mais a direita é o famoso Maciço da Tijuca;
o de baixo a esquerda é o Maciço da Pedra Branca; e o superior
é o Maciço Gericinó-Mendanha. Nova Iguaçu
abrange a parte norte (neste caso a parte superior) do Maciço Gericinó-Mendanha.
É lá que ficam as santas rochas do município de Nova
Iguaçu. Que Deus as abençoe! Chegar lá então
ficou mais fácil agora, pra quem vem da Zona Sul do Rio, é
só atravessar a imensa área cinza da imagem (mancha urbana).
Tentem achar o Pão de Açúcar para ter uma dimensão
de distância.
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Agora
a pergunta que não quer se calar: mas por que Nova Iguaçu?
Para os menos informados foi lá que na década de 80 foi
descoberto o incógnito Vulcão de Nova Iguaçu. Trata-se
de um vulcão que possui suas estruturas relativamente bem conservadas.
Alguns geólogos dizem que é o vulcão brasileiro em
melhor estado de conservação. É isso aí, nós
temos aqui um vulcão velhinho... velhinho com mais de 40
milhões de anos! Mas fique tranqüilo, ele já
era: está morto, NUNCA mais vai acordar.
Rocha vulcânica, hein?! Isto significa escaladas diferentes, outros
tipos de agarras, formações as quais não estamos
acostumados a ver aqui no Rio - terra do gnaisse. De repente você
agora já deve estar se perguntando: mas e os boulders? E as vias?!!!
O que rola lá?
Antes de tudo, gostaria de dizer que já trabalhei temporariamente
no Parque Municipal de Nova Iguaçu como coordenador técnico.
Assim conheço razoavelmente bem a região para afirmar que
as escaladas na área do PMNI estão concentradas na borda
da cratera do vulcão em uma gruta mais conhecida como Pedra da
Contenda. Fora esta gruta, há apenas uma pedreira vertical desativada
com cerca de 40 metros de altura com possibilidade de se conquistar umas
4 vias de nível médio (5º, 6º ou 7º graus).
O filé da escalada está na Pedra da Contenda. Vejam imagem
do Google Earth
abaixo com o Maciço do Gericinó-Mendanha e a localização
exata da Gruta da Contenda.
A Pedra da Contenda possui esse nome por se tratar de um antigo esconderijo dos escravos da região que buscavam lá abrigo após fugirem de senzalas de fazendas da região. O próprio Parque foi no século XIX uma fazenda chamada Fazenda Cabuçú. Segundo o experiente escalador Bernardo Cruz, que já freqüentou falésias internacionais, comparou, nas devidas proporções, a Pedra da Contenda a Siurana, em especial à falésia La Olla.
As agarras são muito legais bem diferentes das da Urca, por exemplo. São bidedos, monodedos, os famosos pockets gringos. Há poucos regletes, porém bastante afiados quando presentes. A base da falésia é extremamente negativa possibilitando também se realizar alguns boulders de alto nível, alto mesmo. É verdade que o Nado ficou meio revoltado comigo, pois tinha em mente fazer boulders em blocos soltos, e quando chegou na falésia e viu que os boulders eram na verdade início de vias disse logo: “É a Pedra da Contenda, então se contenta playboy!”.
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No final das contas, acabou que saíram alguns problemas bem legais como o boulder Conexão Japeri (8b), ou o Quinto Quebrento (7c) que de quebrento e quinto não tem nada. Há ainda o Braquial (8b/c). Restaram agora os problemas mais difíceis na casa do 9º e do 10º graus.
Pelas fotos dá para se ter uma pequena idéia do tipo de formação rochosa do local. Embaixo destes pequenos tetos há alguns bidedos e monodedos uma ou outra agarra maior do tipo copão e poucos pés, resumindo é uma pancadaria só!
E o que deve interessar para a maioria: as vias de falésia. Visualizamos meia dúzia de linhas óbvias e bem bacanas, faltando apenas colocar as proteções. Não há nada fácil. Todas as curtas vias (cerca de 5 a 6 proteções) estão na casa do 5.12 ou 5.13 (veja tabela de GRADUAÇÃO do ViaCrux). Contudo, para se grampear as vias é preciso de autorização do diretor do Parque Municipal de Nova Iguaçu, já que consta em seu plano de manejo (muito bem feito e detalhado por sinal) um Subprograma de Recreação e Lazer definindo as normas para o estabelecimento de vias de escalada tanto na Contenda como na Pedreira.
Neste caso eu ainda sou o encarregado de analisar tais projetos. É isso aí, para quem ainda tem aquele espírito guerreiro de se embrenhar no mato, enfrentar carrapatos, calor, e outros perrengues típicos da escalada fluminense esta é uma pedida no mínimo inusitada. Estou disposto a dar maiores informações para quem quiser lá se aventurar através da Lista de Discussões da FEMERJ.
Boas escaladas!
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Diedro Rainildo Silva, mais
uma conquista no setor dos Tetos do Pão de Açucar
13/03/06: [Pedro Bugim] Dia 30 de dezembro do ano passado. estive na Urca e marquei o final do meu ano com uma pequena conquista no setor dos Tetos na Face Sul Pão de Açúcar. O traçado da via passa por um diedro logo depois do pequeno rapel feito para chegar à base dos tetos, antes da também recente via Arranca Toco (4° A2).
Com aproximadamente 15 metros, a via tem seu início em livre (acho que dá um 6ºsup atlético) e evolui para lances mesclados em artificial móvel e livre ao atingir um pequeno teto no meio do diedro. Seu final é inteiramente em artificial móvel, utilizando knife blades pequenos, micro-stoppers e peckers (recomendo levar um ou dois rurps). Ao final existe um grampo para o rapel e não é necessário encordar a via para o mesmo.
Sua graduação sugerida ficou em 6ºsup A2+ D1 E3, mas ainda precisa de confirmação. O nome da via, coloquei em homenagem a um grande amigo e ex-guia do CEB, qua infelizmente não está mais entre nós: Diedro Rainildo Silva. Queria aproveitar para agradecer o meu amigo Flavio de Lima, por ter colaborado com a conquista, mantendo-se impecável na segurança, e na retirada do material. Valeu!
Para maiores informações sobre o Diedro Rainildo Silva, entrem aqui.
E nunca deixe de consultar o seu Guia de Escaladas da Urca para outras informações.
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Trilogia I na Serra dos Orgãos:
Dedo de Deus
13/03/06: [Bernardo Collares] A maioria dos escaladores preferem escalar o Dedo de Deus pela via Leste (2° III) ou pela via Teixeira (3° III+). Lá existem entretanto outras boas vias, sendo que algumas delas podemos chamar de “invisíveis” pelo fato não possuírem nenhum grampo. Após escalar algumas dessas vias, resolvi fazer uma “trilogia”, que seria escalar três vias em seqüência até chegar no cume num único dia. Com esse propósito, chamei o escalador Adrian Giassone para a empreitada, que prontamente topou. E quando São Pedro resolveu deixar, lá fomos nós.
A primeira via foi a Tempos Modernos (6º VIIa), conquista do André Ilha e do Ricardo de Moraes. A base fica entre o Diedro Salomith e a Leste. O primeiro esticão é muito interessante (onde fica o crux), fazendo no final dela a P1, localizada numa sólida laca. Nesse ponto ainda é possível reforçar a parada na fenda logo em seguida.
O segundo esticão é mais tranqüilo, todavia com um final um pouco exposto, pois após o final da fenda ainda faltam uns 10 ou 15 metros para chegar até o fim da via. A P2 é feita em uns grandes blocos. Dali, continuamos nossa trilogia pela via Passagem Abissal (5º VIsup), conquista também do André Ilha e do Ricardo de Moraes, por uma quase caminhada de uns 30 metros, no fim da qual fizemos mais uma parada. Após essa parada fizemos o restante da via num esticão só de uns 70 metros. Via bem tranqüila e agradável com um crux bem localizado no seu término.
Após
a Passagem
Abissal chegamos no platô que dá acesso a base da
Teixeira,
que é a mesma da nossa terceira via a Coração
de Cristal
(6º VIIb). Essa via foi foi igualmente conquistada pela incansável
dupla André Ilha e Ricardo de Moraes. Bela via que logo no início
tem um lance levemente negativo muito bem protegido. A P1 é feita
dentro de um “buraco” quase sempre molhado. O segundo esticão
(crux) é feito numa fenda de meio corpo muito em pé onde
um Big Bro vai bem, onde
logo após é possível proteger com um Camalot 4 (que
deverá depois subir junto com o guia até o final da fenda).
Um tranqüilo domínio e estamos numa confortável P2
feita numa ótima fenda horizontal.
O terceiro e último esticão começa numa fina laca,
que deverá ser escalada com cuidado até chegar no diedro
final, onde o Camalot 4 será novamente bem vindo. Terminando esse
diedro é uma caminhada até o cume.
Realmente muito agradável esse passeio ao redor do Dedo de Deus sem usar nenhum grampo. Ainda são possíveis outras variações desse tema. E parabéns aos conquistadores. E fica um agradecimento a Camila Quintanilha pelo informe sobre o tempo em Teresópolis nos dias anteriores à escalada.
| A
Trilogia de Montanhas no PNSO: |
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[por
Antônio Paulo Faria] Em uma terça-feira,
precisamente no dia 15 de novembro de 2005, eu consegui subir três
montanhas do Parque Nacional da Serra dos Orgãos: Escalavrado,
Dedo de Deus e Agulha do Diabo, em 14 horas (carro-a-carro). A idéia
inicial mesmo era escalar quatro cumes em um apenas um dia: os mencionados
anteriormente e mais o do Garrafão (pela via normal), mas
não consegui subir esse último por falta de sorte
e de treino (demorei muito na Agulha do Diabo, que estava muito
molhada). Eu sabia apenas que o projeto era viável. porque
já havia subido a Agulha do Diabo em 4 horas (carro-a-carro)
com o escalador Álvaro Loureiro.
Às 05:00 hs eu entrei na trilha do Escalavrado. Às 05:45 hs estava no cume. Às 09:26 hs cheguei no topo do Dedo de Deus. Às 16:30 hs no topo da Agulha do Diabo. Às 19:00 hs cheguei de volta ao carro. A intenção de mostrar isso aqui é para derrubar alguns mitos, porque tudo isso depende de uma boa estratégia e, é claro, de muita vontade. Muito mais difícil que subir a trilogia do PNSO sozinho é arrumar companhia para um "programinha" como este, onde foram parar os malucos?! Para quem ficou impressionado com isto é melhor esquecer, pois isso tudo não passou de "brincadeirinha" perto do que é feito lá fora: tem gente escalando várias montanhas difíceis nos Alpes e também no Himalaia, em 50 horas e sem descanso. E uma observação: a melhor parte foi chegar em casa, flutuar na Jaccuzi com água quante e tomar um uisquinho. No final daquele dia me sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Tem que treinar, tem que treinar... *
Em breve, o relato completo da Trilogia de Montanhas no PNSO no
ViaCrux. |
[Início]
1º Campo Base: Encontro
de Escaladores em Bagé
14/03/06: Taí um motivo para fazer uma bela trip em terras gaúchas e de quebra escalar e encontrar galera. Nos dias 21 a 23 de abril acontecerá na cidade de Bagé (RS) o 1º Campo Base - Casa de Pedra/Palmas/Bagé, um grande encontro com o propósito de reunir e confraternizar escaladores e montanhistas de todo o estado do Rio Grande do Sul.
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Escaladas em Caxias do Sul,
RS
15/03/06: [André "Belê" Berezoski] Há muito tempo que eu ouvia falar das escaladas em Caxias do Sul, e apesar de inúmeros convites do Thiago Balen e outros escaladores locais, sempre acabava adiando a ida para um dos lugares mais impressionantes do Brasil para a prática da escalada esportiva. Passadas as competições e treinos de 2005, o fim do ano foi uma boa opção para conhecer um lugar novo e escalar em rocha.
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, ou Gruta da Terceira Légua, como é mais conhecida, situa-se a 13 km do centro de Caxias do Sul, em uma região de colonização italiana, cercada de parreirais e vinícolas. A Gruta possui fácil acesso para as vias, estacionamento de carros no alto dela e uma escadaria que leva até a base das vias. A parede começa vertical e vai se transformando em um enorme negativo e teto, algo muito comum em setores na Europa, mas que é raro por aqui. Um lugar impressionante que não deixa nada a desejar dos points gringos.
Todo
o setor passou recentemente por uma regrampeação organizada
pela AGM (Associação
Gaúcha de Montanhismo), um trabalho bem feito, com correntes ao
final das vias e chapeletas novas. A rocha é o basalto, perfeita
por não ser abrasiva para os dedos e por formar agarras geralmente
de boa pega. O setor conta com mais ou menos 30 vias, variando de 6º
até 10c, e que possuem uma característica bolderística.
Isso se deve ao fato de que os primeiros metros das vias são bem
negativos e tetos; um bom treino de boulder ajuda muito na hora
de tentá-las. Todas elas têm uma movimentação
bem atlética, exigindo o uso de várias técnicas de
entalamento de calcanhar e joelhos.
Como havia passado o ano inteiro treinando e competindo, estava ultra-motivado
para escalar em rocha: tentar uma via mais difícil e escalar bastante
à vista ou em flash. Logo no primeiro dia saíram
as primeiras cadenas das vias mais tranqüilas e de dois nonos. Daí
em diante, a cada dia novo, cadenas novas. E todas as vias até
9c que entrei saíram de primeira, o que me motivou ainda mais para
tentar encarar a via Sombra e Escuridão Karma, uma via
cotada em 10c, encadenada pela primeira vez em julho do ano passado pelo
caxiense Vinícius Todero e repetida recentemente pelo escalador
também caxiense Thiago Balen.
Como eu havia feito a primeira parte da via, que é cotada em um 9c, aproveitei para começar a trabalhar as 3 costuras seguintes. Esse trecho adiciona mais 12 movimentos, que elevam a via para um 10c: um boulder acima de um 9c, saído de um entalamento de joelhos. A via pede muita explosão e precisão nos movimentos e trabalhei somente a sua parte superior por dois dias. No terceiro dia, quando iria somente aprimorar a parte de baixo da via (o programado seria fazer uma tentativa um dia após o descanso) acabei chegando no entalamento sem muita dificuldade. Incentivado pela galera para que eu continuasse, resolvi tentar e a cadena acabou saindo, realizando assim a segunda repetição da via e meu primeiro 5.14, uma realização pessoal enorme e prova de que um treino bem realizado e elaborado pode trazer ótimos resultados, tanto em competições como em rocha.
Com
a sensação de missão cumprida, parti para as outras
vias e acabou saindo mais um possível 10a que percorre um enorme
teto, a segunda repetição de uma das vias mais lindas que
eu já escalei (não possui nome ainda) e que mandei na terceira
tentativa.
Além de minhas cadenas, estavam comigo, Gabriel Ortiz que mandou
várias vias de 9a, Stefano "Ligeirinho" Mastrocolla,
que além dos vários nonos, mandou seu segundo 9c, Nívea
Novaes, minha esposa, e vários amigos de São Paulo e de
Curitiba, que também desceram para o Sul, fugindo do barulho e
agitação dos grandes centros. Faltou somente o pessoal local,
que desceu mais ao Sul, sentido Argentina para escalar as vias de lá,
onde, até onde sei, já saíram várias cadenas.
Os dez dias que passamos em Caxias foram muito especiais, acabei passando
a virada do ano com amigos e escalando em um lugar excepcional, onde o
povo local é bastante receptivo. Definitivamente um dos melhores
lugares para se estar. Assim como fizeram os escaladores locais, sempre
me convidando para conhecer a Gruta,
fica aqui também o meu convite e aproveitem o que o Brasil também
tem de melhor em termos de qualidade na escalada esportiva.
Para
esta temporada 2006, os meus planos são dar um pulo no Rio de Janeiro
e aproveitar suas falésias, excelentes vias e escalar com a galera
local... nos vemos em abril!
André Berezoski é atleta apoiado pela Conquista,
Casa de Pedra
e Rômulo Bertuzzi Desempenho Esportivo.
| Sobre
o Rio Grande do Sul, leiam ainda no ViaCrux: E ainda em ARTIGOS: 17/11/05: André ”Belê” Berezoski, Temporada na Europa em 2005 |
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Conquistas carnavalescas nas
Agulhas Brancas, ES
16/03/06: [André Ilha] Neste Carnaval Christian "Tita" Steinhauser, Yuri Berezovoi e eu conquistamos as Agulhas Brancas, na verdade dois cumes bem distintos de um gigantesco pontão de rocha clara encostado em uma montanha maior, de rocha escura, no distrito de Cristalina, em Nova Venécia, Espírito Santo.
Apesar do calor inacreditável, no primeiro dia abrimos a trilha até à base após termos subido um costão de dimensões himalaicas e atravessado uma floresta horizontal para a esquerda, que nos deixou bem em cima do colo das agulhas com a montanha principal. Ali batemos um grampo para rapelar os últimos 15 metros da descida, que são numa parede rochosa íngreme que depois escalamos de volta por uma via toda em oposição e protegida por friends diversos, a Chapa Quente (5º, 15 m).
No colo, demos de cara com um quati, que inspirou o nome da via para atingirmos o topo da Agulha Menor: a Fissura do Quati (4º sup, 45 m), outra escalada toda em móvel (friends diversos), cuja principal atração é uma belíssima fissura frontal, guiada pelo Tita em entalamento de mãos e pés e oposição, com uma passada ou outra em agarras.
Perto do cume o Tita bateu um grampo para rapelarmos para o colo entre as duas agulhas, e eu guiei a via para o topo da Agulha Maior, a Gabiru (5º, 30 m), também toda em móvel (friends diversos e nuts de cabo). Esta via também tem uma bonita seqüência ao longo de uma fissura, mas que é feita predominantemente em agarras.
O topo desta montanha está em decomposição, e não existia nem um local onde um grampo de descida pudesse ser batido com um mínimo de confiabilidade. Felizmente existem lá alguns sólidos arbustos de onde descemos de volta ao colo com a Agulha Menor, subimos de prusik de volta ao topo desta por uma corda que havíamos deixado fixa, rapelamos de volta ao colo das agulhas com a montanha principal e saímos de lá conquistando a já mencionada Chapa Quente.
Detalhe: nos dois rapéis (corda simples no primeiro e dupla no segundo) a corda não tem como ser puxada de baixo de jeito nenhum, devido ao atrito, mas resolvemos este problema de forma simples: levamos uma ponta até o topo da Agulha Menor, no primeiro caso, e até o final de Chapa Quente, no segundo, e de lá a puxamos quase na horizontal.
Como vimos que é possivel fazer uma pequena via do colo entre as duas agulhas até o topo da Agulha Menor, isso significa que não é obrigatório que se levem cordas para serem deixadas fixas para garantir a volta, o que significa bem menos peso e complicação para futuras cordadas. Ao lado delas ainda há uma outra agulha que não subimos, quase toda em caminhada mas com uma grande e afiada pedra no topo, que batizamos de "Alfinete".
Considerando que ali pertinho já havia a Pedra do Dedo e o Dente de Pedra, podemos dizer que Cristalina já é um pequeno pólo de escaladas estabelecidas, com potencial para muito, MUITO mais. Além disso, nosso Carnaval incluiu a primeira repetição de uma via audaciosíssima em Vila Pavão, feita por dois moradores locais para conquistar a Pedra dos Bodes, uma grande montanha às margens da estrada que liga Nova Venécia a Vila Pavão, mas isto será objeto de um artigo específico que o Yuri está escrevendo, de tal forma que ficamos impressionados com o feito.
Mais informações sobre escaladas no ES, entre em contato com a Associação Capixaba de Escalada.
| Sobre
as conquistas no Espírito Santo, leiam ainda no ViaCrux: Em breve artigo de André Ilha sobre a Joatinga: Croquis + Fotos |
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