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JULHO DE 2007
Escalador carioca manda maior highline do Brasil na Pedra da Gávea
16/07/2007: Dia 14 de Junho passado, o escalador e slackliner carioca Hugo Langel van Erven mandou o mais alto e mais extenso highline do Brasil. O feito foi realizado em uma das montanhas mais bonitas do Rio de Janeiro, a famosa e exuberante Pedra da Gávea.
Hugo é um dos maiores entusiastas (e o melhor do Brasil) de slacklining, que nada mais é que uma espécie de corda bamba só que feita numa fita tubular presa entre dois pontos fixos. E highline é simplesmente uma versão "bem alta" do slackline, que comumente é feito a pouca distância do chão. Na definição da saudosa escaladora Roberta Nunes, que foi a mais talentosa praticante da atividade do Brasil, "o slackline, de base histórica completamente circense, talvez seja uma forma mais simples e moderna da corda bamba. Esta atividade já virou um vício entre os escaladores do mundo inteiro, principalmente aqueles que estão mais preocupados com a amplidão de seus limites. "
E em falar na Robertinha, foi ela quem apresentou o slacklining ao Hugo. Quando ele tinha 16 anos de idade, há alguns anos atrás, ele foi passar uma temporada de escalada em São Bento do Sapucaí em São Paulo: "Foi a primeira vez que eu vi um slackline e foi com ela e o Ralf (Côrtes)," diz Hugo. "Foram 4 dias intensos de escalada e slack com eles na casa do escalador Eliseu Frechou. Foi nessa mesma viagem que ele me vendeu baratinho uma fita beal irada q tenho ate hoje. Devo tudo a eles e à Roberta, foram eles que me abriram as portas do slack ."
Para realizar o feito na Pedra da Gávea, Hugo contou com muita prática nos últimos anos: fez slacklines e highlines em pontes, em árvores, em barraco de favela, onde fosse possível. E já fazia um ano que ele namorava essa possibilidade de slack na Pedra da Gávea. Para a empreitada tentou obter patrocínio e cansado de receber respostas negativas, resolveu ele mesmo, com a ajuda de amigos, bancar o projeto.
Na primeira tentativa, o slackline tinha 32 metros de extensão (medidos através da corda de backup). Ele começava no platô final da via Impressionismo Carioca e ía até a Cabeça do Gigante por cima da Chaminé CEB, que fica antes do famoso Portal da Pedra da Gávea. A fita ficou boa, mas com o vento sinistro que fazia nesse dia era impossivel andar. Mesmo assim Hugo tentou fazer a travessia umas 20 vezes. "Eu dava quatro passos e o vento me jogava muito pra fora do slack caindo no direto na solteira", afirma Hugo. "Até que tomei uma vaca de cabeça na pedra, aí acabei desistindo nesse dia!"
Na segunda investida, Hugo esperou por uma boa época do ano sem muita ventania cavernosa e montou o slack no mesmo lugar com os mesmos 32 metros de extensão. "Só que cometi um erro", conta o escalador. "A fita ficou alta e o drop ficou sinistro com um balanço bizarro com a base de um teto logo abaixo. Todas as vacas ficaram bem tensas e eu me machuquei batendo a cabeça. E ainda teve os murros na pedra, e uma hora bati muito forte na rocha com a sola do pé. Pronto! A brincadeira acabou e saí de lá com uma "bola" no meu pé. Não dava nem pra andar no chão direito, muito menos no highline da Gávea ."
Três horas de trilha depois, um verdadeiro suplício com o pé machucado, o frustrado slackliner se encontrava no carro olhando para a Pedra da Gávea e só pensava " vou melhorar e vou mandar aquela porra!".
E daí, uma semana depois ainda com dores no pé ele partiu para a terceira investida. O escalador Guilherme "Grilo" Taboada e ele subiram a Pedra da Gávea com mochilas de 35 à 45 quilos. No dia seguinte chegaram os amigos Hillo Santana, Carlos Sanmiguel, Júlio "Juba" Blander, Diogo Bintang e Adelmo Noite. " Como eu havia me ferrado na tentativa anterior, tivemos que cortar a fita", continua Hugo. "Como já tinha um grampo mais para o cume da via Impressionismo Carioca, montei o slack com o que tinha de fita e ele ficou com 25 metros de extensão. Eu acho que o chão mais próximo (para os que querem saber onde o corpo vai bater primeiro em caso de queda), dá uns 150 à 200 metros de altura e uns 800 metros a nivel do mar. Se bem que não importa: HIGHLINE é HIGHLINE!"
Hugo nessa última investida utilizou 2 fitas tubulares tensionadas, com uma corda de backup sobre as fitas, que estavam todas coladas juntas com fita adesiva. E cada fita, inclusive a corda, tinha sua ancoragem independente da outra. E nesse dia, a "cadena" do highline finalmente saiu! Hugo diz que sem os amigos, os mencionados mais acima e ainda Lucas Borges e Fábio Gollun, o projeto não teria nem saído do papel.
Vale lembrar que poucas pessoas no mundo, segundo Hugo, mandaram highlines com mais de 25 metros. "Eu já tive oportunidade de atravessar 2 vezes um slackline de 32 metros na Ponte Lúcio Costa (Barra da Tijuca) no final do ano passado", conta Hugo. "E a diferença de um highline de 15 metros pra um de 30 seria igual a de uma via de 7º grau para a uma de 11º grau. Com o recorde mundial de highline de 39 metros, feito pelo Corbin Usinger, não vejo porque o Brasil não pode se tornar no futuro uma das maiores potência do highline mundial. E na moral, esse da Pedra da Gávea é o mais bonito do mundo... pode procurar você não vai achar nenhum com um visual desse".
A "cadena" de Hugo desse highline vai fazer parte de um documentário sobre slackline que irá participar da VII Mostra Internacional de Filmes de Montanha, a edição nacional do Festival de Banff do Canadá.
E se depender de Hugo, outros highlines não vão faltar e ele já tem outros projetinhos, inclusive dois bem sinistros no Rio de Janeiro. E ainda planeja uma visita em agosto no incrível Parque de Yosemite nos EUA, onde pretende, entre outras coisas, mandar os famosos 16 metros do slackline do Lost Arrow (feito realizado somente por um único brasileiro, no caso a "local" Roberta Nunes). E olha que ele nem gosta muito do perrengue de um highline, diz que é mais perigoso do que se imagina.
Não é que dizem o mesmo de escalada em rocha?
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Conquista da Menina dos Olhos Capixaba na Pedra da Rapadura
17/07/2007: [por Ester Binsztok] A odisséia iniciou-se em 12 de outubro, dia das crianças, data em que partimos (Cris Jorge, Patricia Duffles e eu) rumo às montanhas incríveis do Espírito Santo. O plano era ir à Nova Venécia, seguindo por Águia Branca, Pancas e finalizando em Laranja da Terra.
Chegamos em Nova Venécia após uma longa jornada de carro. Reservamos um local para dormir e fomos em direção à Vila Pavão e já na estrada era possível avistar a quantidade enorme de montanhas, de todas as formas. Passamos um dia e meio reconhecendo o território, até que uma pedra com duas crateras no formato perfeito de um par de olhos nos impressionou bastante e, admirando os olhos, avistamos uma linha que aparentemente ía por uma seqüência de pequenos platôs à esquerda. Paramos, olhamos e decidimos averiguar melhor pois ali poderia ser uma linha em potencial.
O dia 15 amanheceu com chuva, mas mesmo assim fomos explorar a base da via. Pedimos permissão para os moradores locais, acessamos o costão e subimos uns 150 metros entre línguas de água, alcançando a base da escalada. À medida que nos aproximávamos da base, a parede mais impressionante ficava, com uma belíssima linha de canaleta da metade dela pra cima.
Chegando na base, constatamos que o primeiro lance seria uma saidinha de 4º grau seguida de um platô, continuando com outra barriga que levava a um segundo platô. Era possível avistar também que a pedra tinha umas formações em onda, o que nos levava a crer que iríamos encontrar barrigas e platôs pela frente. A rocha era boa e limpa, cor escura e bastante abrasiva. O primeiro terço da via seria constante, o segundo terço seria o mais vertical e, para alívio, o último terço da via parecia ser o mais deitado.
A pilha máxima da conquista estava posta, agora era dar o melhor de si e tocar pra cima na escalada. Em pouco tempo, uma já tinha subido e o primeiro grampo batido. Gritos de comemoração, e toca pra cima! Mesmo com a chuva intermitente, a escalada fluía. Fazíamos turnos de mais ou menos 3 grampos pra cada uma, o que, em alguns casos, resultava em um esticão de 50 metros, dado a fissura da equipe.
No segundo dia de escalada trabalhamos para transportar e fixar as cordas, assim pouco evoluímos na conquista. Porém, alcançamos um ponto fundamental, que seria o ângulo mais próximo da terrível barriga que avistávamos. Lá de baixo, ela parecia ser bem difícil. Quando chegamos ali, de cara pra barriga, a situação não parecia melhorar! Decidimos descer para ter uma visão melhor e continuar a investida no dia seguinte.
No terceiro dia chegamos determinadas até o ponto no qual paramos. A Patrícia começou os trabalhos conquistando um lance de aderência que graduamos em 5º, depois seguiu a Cris contornando a barriga por baixo e eu segui entrando na canaleta, à esquerda da barriga. A Cris finalizou então os trabalhos na canaleta e terminou o esticão num confortável platô, onde teve que ficar um bom tempo, pois a bateria da furadeira acabou e foi necessário fazer o furo com a talhadeira. Para piorar a situação uma forte chuva se aproximava. Grampo batido e após o primeiro rapel a chuva desaba, em três minutos a parede de branca ficou preta, tamanha a quantidade de cachoeiras que haviam se formado.
No último dia, apesar de estarmos cheias de energia, não sabíamos se alcançaríamos o cume. Sabíamos que estávamos relativamente próximas a chegar num imenso platô e que depois dali seriam mais uns 100 metros de via fácil. A parede nos surpreendeu, pois por mais que parecesse fácil, continuávamos encontrando barrigas de 4º sup e 5º. Decidimos deixar para trás as cordas fixas e partir pro ataque ao cume.
Chegamos no cume às 13:30 horas do dia 19 de outubro, data memorável para nós três. A via ficou com a cara de cada uma e de todas nós. Lances corajosos, linha bonita, escalada longa, montanha isolada, rocha boa e belíssimo visual. Decidimos chamá-la de Menina dos Olhos (4º V E3 D3 470 metros) pelo formato dos olhos cravados na rocha, e pela própria expressão, que quer dizer algo pelo qual se tem apreço, se tem orgulho, sua obra de arte.
Não podemos deixar de agradecer aqui a Dona Neuci e seu marido Eloísio Rossin, que nos receberam muito bem. Todas os dias Dona Neuci nos esperava com um cafézinho quente e torcia pra que conseguíssemos alcançar o cume.
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Uma ano se passa sem Roberta Nunes
18/07/2007: Hoje faz um ano que a nossa querida escaladora Roberta Nunes perdeu a vida em um acidente de carro nos EUA. Um dia triste para a escalada brasileira e internacional. Leiam artigo Saudades de Roberta Nunes sobre a escaladora na seção de ARTIGOS do ViaCrux.
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