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MARÇO DE 2007
Escalada no Nordeste: Fábio Muniz
entre compadres e friends
06/03/2007: [por Fábio Muniz] O Brasil é (ainda) grande, rico e diverso. A maioria dos brasileiros sentem e percebem isto. Dentro do âmbito das viagens de escalada, o que alguns de nós escaladores do Sul/Sudeste estamos começando a fazer atualmente é conhecer uma outra parte de nosso país: o Nordeste com suas rochas de grande potencial e beleza ainda bem pouco exploradas.
Há alguns anos atrás eu tive uma oportunidade de ver uma projeção de slides do André Ilha sobre suas escaladas naquela região. Fiquei surpreso e curioso com as paisagens, os tipos de rochas e o fato de se escalar numa terra onde a praia, o vento, a comida, a música, a dança, o povo e o calor (é claro!) são os mais conhecidos atrativos.
Neste ano de 2006 que passou, depois de ter visto algumas matérias sobre a região, peguei algumas dicas sobre os locais promissores para o que gostaria de ver e fazer. Decidi ir para lá neste mês de Fevereiro, principalmente após ter recebido estímulo de conhecidos “mais chegados”. Carnaval, verão e muito calor! Melhor época? Segundo a galera local: sim! Apesar do calor intenso, nesta época do ano quase não chove e quando dias amenos de vento mais fresco fazem o mormaço e a radiação da pedra se dissiparem a gente começa a ficar adaptado.
Pelo pouco tempo que tinha – apenas 10 dias – a intenção era conhecer algumas escolas de escalada nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, aproveitando o máximo para conhecer vias clássicas, fendas, sem deixar é claro de conferir as vias esportivas já existentes (entrando em algum projeto por ser encadenado e também vendo possibilidades de conquistar algo). Mesmo este projeto tendo um formato flexível, tinha um forte desejo e curiosidade de ficar embaixo do grande negativo da Pedra da Boca (a própria boca), que fica em Araruna na Paraíba, local onde o escalador carioca Ralf Côrtes iniciou uma via em 2001.
Foi inevitável! Passei 04 dias na "Boca" dando continuidade ao trabalho do Ralf e concluindo a primeira etapa da via que literalmente “rasga” o lindo negativo, atravessando-o numa linha mesclada de fenda e buracos alucinantes. Para isso, fiz uso de todo o tipo de material disponível: friends, fitas e cordeletes passando entre buracos e ainda uma retinida de sisal, um “salvador” banquinho de madeira e os “compadres” (uma espécie de cunha de madeira artesanal) feitos pelo Júlio Castelliano. Júlio é escalador e morador local que nesta minha visita foi um grande parceiro tanto como "anfitrião" como na finalização da conquista da via, à qual ele já havia dado continuidade.
A forma e a sequência com que decidi dividir esses dias foi: três dias em Campina Grande/PB (Parque do Poeta e Pedra do Marinho); quatro dias no Parque Estadual Pedra da Boca (Araruna/PB) e mais três dias em Serra Caiada/RN.
Campina Grande/Paraíba
Tinha conhecimento de duas vias que o curitibano José Luis Kavamura, o Kava, havia conquistado no Parque do Poeta que fica bem próximo à cidade de Campina Grande, sendo uma delas um 9a ainda a ser encadenado. Isso me deixou motivado, engrenando logo de cara o primeiro dia de escaladas da viagem.
Chegando lá, fui recebido pelo Claudionor (presidente do Clube de Montanhismo Paraibano, o CMP) que me levou para algumas vias esportivas e para uma área de boulder na Pedra do Carneiro (Parque do Poeta) onde abri um problema de 7c, o Pé de Gato (uma espécie de planta com espinhos) e onde vi muitas outras possibilidades. A maioria das vias são técnicas, curtas, com uma rocha cheia de pequenos cristais, exigindo uma forte adaptação na pele dos dedos.
Ainda em Campina Grande, acompanhado pelo escalador local, Pablo Phyllip, fui conhecer as vias do Kava que ficam no setor Pedra Escola. Encadenei à vista e mandei de segunda as vias: Nove Soro (8b) e Rala Côco (9a). Essas duas vias são muito boas, evolutivas e de continuidade, característica importante para o desenvolvimento dos escaladores locais. Este setor ainda promete ótimas conquistas.
Um outro local que conheci foi a Pedra do Marinho onde foram conquistadas as primeiras vias da região. A parede principal é bem bonita e as vias lembram um pouco a falésia São João em Copacabana (Rio de Janeiro) com seus cristais, porém com menor negatividade. Na face oeste deste pico provavelmente vão ocorrer conquistas de vias na faixa do nono grau. A ótima acolhida da galera só me deu mais ânimo para conhecer cada vez mais as escaladas, o povo e a cultura daquela região.
Serra Caiada / Rio Grande do Norte
Depois de passar pelo Parque Estadual Pedra da Boca (que vou descrever ao final desta matéria) fechei a viagem na Serra Caiada (RN), que fica a pouco mais de três horas de João Pessoa (PB). Neste terceiro e último local onde escalei, conheci um granito com uma textura muito “macia” e de bastante dureza, que me lembrou um pouco as formas das agarras da falésia do Cabeça de Cachorro em Petrópolis (RJ), onde conquistei pela primeira vez em negativos. Encontrei de tudo lá: buracos, abaulados, fendas e até regletes que parecem finas folhas.
Um pouco adiante das paredes principais há um bloco de pedra de tamanho considerável chamado Pedra do Boulder, onde há vias que vão de sexto grau até projetos de 9c. Em Serra Caiada fiquei apenas dois dias e escalei ótimas vias na parede principal de lá: duas de placas com passagens em pequenos tetos e lances em aderência e regletinhos, a Anaconda (7a) e a Diamante de Mendigo (5sup); e uma esportiva suavemente negativa com muitos regletes particularmente finos que só na aparência são frágeis, a Adios Amigos (8b).
Vinha de uma série de dias escalando e conquistando na Pedra da Boca e, no dia seguinte, para o qual havia deixado para entrar nas vias fortes da Pedra do Boulder, o cansaço negou qualquer possibilidade de escalada. Mesmo assim valeu conhecer este local que, segundo os geólogos, é a rocha mais antiga do Brasil e a quarta do planeta. Como em Campina Grande, muitas vias ainda vão ser abertas, e provavelmente muita gente do resto do Brasil, que está acostumada a escalar no duro granito, ainda vai “rir” com a suavidade e as formas encontradas na Serra. Tive a companhia do escalador/instrutor de Natal (RN), o Dante Delmiro, que tem aberto muitas vias na região.
Um detalhe que não se pode deixar de mencionar são as colméias de abelhas que estão nos negativos (local bem promissor para abertura de vias), mais à esquerda da parede principal. Realmente são perigosas e já houveram acidentes fatais por conta de rapéis próximas a elas. No entanto, com muito cuidado em não fazer barulho, pode-se chegar relativamente próximo para se analisar a parede.
Pedra da Boca / Paraíba
Chegando de manhã cedo, na garupa de um motoboy com minha cargueira pesada, logo notei de longe um buraco em forma de boca escancarada! Era a primeira visão que me chamava atenção dentre os outros monólitos de diversos tamanhos que iam aparecendo à medida que me aproximava.
Depois de aproximadamente 10 minutos esquecendo a dor no abdômem, que estava “tijolando” – e eu ainda não havia comido a típica e gostosa comida servida na região: rubacäo, arrumadinho, delícia de macacheira, carne de charque, etc – desci na casa de Seu Tico, ilustre morador, guia, e provavelmente o mais conhecido dono de abrigo e restaurante dos escaladores da Paraíba. Iria passar ali alguns dias desfrutando a tranqüilidade e a boa e típica comida, como também escutando um pouco suas histórias.
Local onde ocorreu o IV Encontro de Escaladas do Nordeste, o Parque da Pedra da Boca é uma das mais importantes áreas de escaladas desse estado. A beleza de se escalar tendo sempre um ponto de vista diferente, em pedras de formas bem exóticas, o torna único. Há uma boa quantidade de vias (predominando as vias de placa e vias em móvel), porém o que vi em relação ao potencial de abertura de vias esportivas já bastou para considerar o local como sendo um possível e promissor pólo de referência no Brasil.
| Os
negativos da Pedra do Carneiro (não confundir com a Pedra do
Carneiro do Parque do Poeta) são diferentes dos da Pedra da
Boca, não há tantos buracos porém há colunas
e agarras saltando para fora da superfície!). |
Caminhei um pouco ao redor das Pedras Pinguruta (com suas vias em móvel), Pão de Caixa (muito interessante!) e Caveira (com bonitas vias ao redor dos buracos). Como acabei passando a maioria de meu curto tempo pendurado e de “boca aberta”, não pude fazer as vias que alguns amigos tinham me indicado. Mesmo assim escalei essas duas: Rapadura é doce mais não é mole não (5º) na Pedra da Pinguruta com suas contínuas colocações móveis e o lindo e exigente diedro Cavalo de Tróia (7b) na Pedra da Boca.
Quando encontrei o Júlio e perguntei sobre o teto na Pedra da Boca, ele me disse – com um brilho e um sorriso nos olhos – que eu deveria vê-lo com meus próprios olhos e que ele já havia continuado um pouco a via do Ralf, que mencionei no início desse artigo.
Chegando lá, observando a via incompleta e vendo sua continuação até próximo à metade, percebi que com mais uns 15 metros a fecharíamos: a pilha foi grande! Depois, olhando para toda a parede ao redor, percebi também o quanto importante esta via seria para dar estímulo às muitas outras vias mais fortes que viriam a seguir. Essa oportunidade me encheu de uma responsabilidade excitante.
O processo da conquista foi bem interessante e um aprendizado para mim. Assim que observei a via do chão notei que haviam agarras quebradiças, mas a seqüência de agarras era nítida (por sinal uma ótima linha até o final). Quando entrei para provar as passadas felizmente percebi que somente algumas agarras de pé estavam para sair, e que por baixo dessa capa havia uma rocha dura. As agarras de mãos eram bem sólidas, podendo parar em móvel perfeitamente e ainda haviam os ótimos buraquinhos para laçar! No entanto tive problemas com a broca da talhadeira (eu havia levado os grampos e o Júlio tinha a talhadeira) e desse modo as expectativas se alternavam com as adaptações aos problemas que surgiam. Como por exemplo: depois de ter batido 4 grampos com uma broca mais fina (o que me custava quase uma hora pra batê-los) e faltando pouco tempo para escurecer, encontrei uma seqüência forte para o platô e o final da via. Neste momento a tomada de decisão foi chave.
Não havia possibilidade de fazer um artificial e se fizesse furos rasos para progredir nos grampos não haveria tempo de chegar no platô (e ainda é claro de bater o grampo final para eu poder descer). Tentei o lance três vezes voando bem e fiquei “bolado”. Ainda tinha tido a sorte de ter economizado tempo e energia colocando um móvel e uma fita na última proteção onde me encontrava. Estava cansado e as expectativas diante disso afetavam a motivação.
Decidi descansar e relaxar (tinha um bom banquinho para isso!), olhar a paisagem, a parade, o lance... Redescobri uma regra radical da escalada em livre que nesse caso funcionou: quando não se pode fazer em artificial, se faz em livre! Voltei para o lance, melhorei um entalamento bem suave de joelho na metade do boulder, alcancei finalmente um agarrasso no buraco negro e profundo, pé voando com costura a uns dois metros. Fiz outra passada para entalar novamente agora sem as mãos e, com grande alegria, prazer e contentamento, lacei um buraco, o que já planejava fazer da parada. Como fiquei satisfeito! Mais umas passadas e finalizei o esticão ironicamente ao lado de uma pequena colméia, que ora com mais zum-zum, ora com menos, me permitiu relaxar totalmente depois do último grampo, chamando Júlio para limpar a via.
Estava lá (está lá agora!) a proposta: primeiro esticão da via Céu da Boca com 30 metros, quase 2/3 de um 9c com agarras de variados tamanhos e tipos e com 3 passagens técnicas, um entalamento um pouco jeitoso sem mãos no terço final e finalmente fechando com um boulder de 8b.
A movimentação nesse tipo de feição rochosa (que nunca havia visto nem no exterior) pode ser muito criativa. Há muitas passadas com estabilização do corpo e recuperação de energia utilizando calcanhar e peito do pé, entalamentos sutis dos dedos e inúmeras agarras invertidas e laterais. Só de estar lá fazendo os movimentos e conquistando já me trazia um grande prazer! Mas... “ela” não foi encadenada... ainda! O grau sugerido está entre 10a e 10b.
Imagino que essa via pode ser um marco, não só para o estilo de escaladas praticado na região, mas como também no Brasil. A negatividade e o tamanho da parede, e o tipo de rocha e movimentação feitas a partir destas características pode impressionar até quem já esteve em famosos picos de escalada esportiva da Europa. Podem ocorrer ali e em outros setores vias de 10c ou quem sabe 11a!
Riso frouxo na Boca
Bem, minha empolgação é grande e o desejo de voltar também!
Deixo aqui agradecimentos especiais ao Claudionor e o Pablo de Campina Grande, ao Júlio Castelliano e Numo Rama da Pedra da Boca, ao Dante de Natal, à Mariana Candeia de João Pessoa que está morando no Rio de Janeiro e a Equinox por possibilitarem a realização desse projeto.
Fábio Muniz é petropolitano, escala há 16 anos e é patrocinado pela Equinox.
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Fotos:
Mariana Candeia, Numo Rama & Fábio Muniz Mais
Nordeste: E confira ainda na seção de Notícias
do ViaCrux o artigo Novas vias no Ceará, em Pernambuco
e na Paraíba do escalador André Ilha, publicado
no dia 23/01/2007. André também conferiu de perto o
que a Paraíba tem de bom! |
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Conquista na Pedra dos Olhos no Espírito
Santo, o único lugar que choveu no mundo durante o Carnaval!
07/03/2007: [por André Ilha] Neste Carnaval Yuri Berezovoy, Kika Bradford e eu fomos para o único lugar em que aparentemente choveu direto no feriado: a região de Águia Branca/Nova Venécia/Vila Pavão, no Espírito Santo.
No único dia em que a chuva deu uma trégua parcial, porém, conquistamos de uma só vez uma via muito maneira, a Chaminé Cachoeira (4º IV, 270 m), formada pela junção do cume principal da Pedra dos Olhos com um grande contraforte à esquerda, quase que um cume secundário. A Pedra dos Olhos fica em Vila Pavão, e é a mesma montanha onde recentemente Cris Jorge, Patty Duffles e Ester Binsztok abriram a via Menina dos Olhos (4º V E3 D3, 470 m).
A Chaminé Cachoeira possui apenas dois grampos, ambos nos 20 metros finais, que são em agarras e foram vencidos debaixo de chuva, que retornou antes que conseguíssemos completar a escalada. O resto da via é todo uma belíssima chaminé média e estreita de pouca inclinação, onde você escala em diagonal, com o fundo da chaminé nunca muito distante. Costuramos apenas uns quatro friends pequenos e médios, e o restante foi todo feito com segurança de platô. O nome da via deve-se ao riachinho que corre dentro da chaminé, formando micro-quedas d’água, que logo aumentam com cada chuva. De certa forma ela lembra a Chaminé Promenade, na Pedra Roxa, em Petrópolis, só que é bem mais puxada.
Como eu disse, choveu antes de chegarmos ao fim, mas acabamos atingindo sem maiores problemas o colo entre o contraforte e o cume principal, mas não fomos a este último porque já estava ficando meio tarde. Descemos por um íngreme costão mais à esquerda, fazendo inclusive dois rapéis de 60 m em arbustos.
As mochilas com material de conquista e alguma coisa para um eventual bivaque atrapalharam muito, mas esta é uma via que será muito mais agradável se feita seca e sem nenhuma mochila: apenas um cantil a tiracolo (o cantil pode ser reabastecido na própria chaminé!), umas barras de cereal em um bolso e a máquina fotográfica e a lanterna em outro. Rapidinho! E foi uma bela aventura!
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Definitivamente tamanho não é
documento ou a vingança dos tampinhas!
12/03/2007: Desde os primórdios da escalada, uma das características mais óbvias de qualquer escalador é ser reclamão, sempre inventando mil desculpas que no fundo disfarçam a total incompetência do mesmo em realizar uma escalada qualquer, seja num simples bloco como na mais alta das montanhas.
É evidente que às vezes em alguns momentos, por uma falta qualquer, de fato o pobre infeliz não tem culpa, seja por conta da ação da natureza, seja por algum ponto fraco qualquer, dele ou de terceiros (nesse último caso, tome como exemplo uma segura má feita). Em todos os cantos escaláveis do mundo, no entanto, vivemos ouvindo ladainhas como o velho golpe da "minha sapatilha escorregou" ou ou da "agarra estava babada". Ou então "sou muito alto para o lance", ou então "muito baixo". Nesse último caso, pelo menos, a foto abaixo prova que definitamente tamanho não é documento.
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Pode até ser em algumas ocasiões, mas nada que dedicação e uma boa obstinação não resolvam. A escaladora americana Lynn Hill é uma das mais talentosas do planeta, no alto de seus 46 anos, dona de recordes nas últimas duas décadas tanto em parede como em falésia e boulder. O espanhol Ramón Julian Puigblanque, o Ramonet, dispensa apresentações e segue o mesmo caminho. O campeão europeu de 25 anos é um dos melhores escaladores esportivos da atualidade.
O que ambos têm em comum, além do óbvio talento e força? São baixinhos! Segundo o escalador americano John Long, Lynn Hill tem apenas 1,52 metro (ou 5 pés) e ele mesmo disse que para ninguém acreditar nela, caso ela dissesse que era maior do que isso. Ramonet é da mesma altura pelo visto (se bem que no 8a.nu dizem outra coisa).
E não é preciso dizer que ambos são pequenos monstros da escalada. Driblam a pouca estatura com tenacidade, ousadia e criatividade. Claro que certas escaladas favorecem o ser tampinha, mas em escaladas onde isso não acontece, vale mesmo obstinação, força e muita criatividade, como por exemplo usar agarras intermediárias que nunca foram usadas antes ou fazer lances de modo inteiramente diferentes dos mais avantajados verticalmente.
E os fortes escaladores podem ter a mesma altura, mas diferem no... alcance, o famoso 'ape index'! Nesse aspecto, reparem só, Ramonet é quase uma mão inteira mais alto do que Lynn.
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Ah, Lynn Hill, não reclame, nem tudo é perfeito!
E não é que o o Ramonet lembra um pouco o Daniel "Coçada"?
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Cleanto Portilho faz a terceira repetição
do Esquisito (9c) na Urca
13/03/2007: O escalador carioca Cleanto Portilho fez no final do ano passado a terceira repetição do explosivo Esquisito (9c) no famoso bloco do Macumba na Urca. Antes disso, o problema proposto pelo escalador Ralf Côrtes só viu três cadenas, a saber: do Luis Cláudio "Pita" (ver Notícia do dia 24/11/2003), do Daniel Hans "Coçada" (ver Notícia do dia 10/05/2004) e da fúria gaúcha Guilherme "Guili" Zavashi (ver Notícia do dia 20/10/2004).
![]() Setor do Macumba, URCA - Bloco do Macumba |
![]() Setor do Macumba, URCA - Bloco do Macumba |
O Esquisito não é nada mais que uma variante para o início do Mau-Olhado (9a). Em vez de começar o problema com a mão esquerda no reglete inicial do Macumba e a direita no abaolado, a direita começa numa pinça e a esquerda em um bidedo. Daí, o escalador dá um tapa com a mão esquerda no abaolado do Mau-Olhado, traz a mão direita num abaoladinho e aí começa o que o Pita disse brincando que é o "Olhado-mau", reboteando a mão direita para a juntar com a esquerda.
"Com sete movimentos iniciais", conta Cleanto, " o Esquisito não possui descanso algum. Só o primeiro movimento deve estar na casa do 9º grau isolado, onde o escalador necessita de potência muscular e força isométrica associadas, para não ser literalmente 'cuspido' ao solo. Somente esse fato, já faz deste problema de boulder algo bastante seletivo."
Cleanto confirma o grau de 9c para o problema cascudo. "Em seus movimentos seguintes (mais um 9º grau compacto)," continua Cleanto, "o Esquisito exige resistência anaeróbica e alta concentração, pois não tempo nem espaço para hesitações. A chapa é quente!"
Quentíssima!
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EscaladaBrasil.com: a miha voz continua a
mesma, mas meus cabelos... quaaanta diferença!
14/03/2007: No melhor estilo Neide Aparecida, o website EscaladaBrasil.com resolveu mudar. E mudou para melhor, com um novo layout e visual.
Para quem não conhece, o EscaladaBrasil teve suas origens em 2004 em um estranhíssimo endereço: o 'escalada.rr.nu', que nunca consegui decorar! Ele foi criado pelos escaladores Tiago Mascarenhas e Júlio "Kalango" Donati (atualmente contam também com a participação de André Ocuno).
Inicialmente a idéia era juntar o máximo de videos de escalada em um só website. Uma onda que começou aqui na web creio eu em 2001 ou 2002 com o finado site ClimbXmedia (que acabou originando a incrível produtora de vídeos de escalada BigUp Productions). E a coisa acabou tomando um rumo maior como podemos ver hoje. A página conta ainda com a vantagem de que seus usuários cadastrados têm a oportunidade de enviar seu próprio material para o site: notícias, vídeos, fotos, artigos, etc, reforçando assim "um espírito de comunidade", como dizem seus criadores.
O resultado é um trabalho enorme e hérculeo, mas que compensa a cada dia que passa. Infelizmente ainda não compensa o bolso dos seus criadores, o que dá mais mérito para a página, que é feita por gente apaixonada pela rocha. Não ganham dim-dim ainda, mas pelo menos certamente se divertem, como o pioneiro ViaCrux, pobrezinho, que não vê um centavo, mas pelo menos muita alegria de poder fazer algo de bom para a nossa pequena, porém ilustre nação escaladora! Não somos bobos nem malucos no entanto, quem quiser mandar dinheiro para a gente, prontamente forneceremos todos os dados para depósito!
E fora que tenho que agradecer muito aos criadores do EscaladaBrasil: eles me livraram finalmente da dor na consciência de nunca ter tido tempo de expandir a galeria de vídeos do ViaCrux, onde constarão provavelmente para toda a eternidade somente 2 vídeos do Daniel Ramonet... ops, digo "Coçada", que aliás podem ser encontrados também nos arquivos do... EscaladaBrasil! Valeu e continuem o bom trabalho!
E antes que eu me esqueça, apesar de correr o perigo de denunciar a minha idade: "Perucas Lady, tá"!
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