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SETEMBRO DE 2005
Conquista & Restauração da clássica Via dos Austríacos
na Face Sul do Corcovado
06/09/05: Mês passado foram feitos alguns reparos na clássica via Diretíssima Face Sul (A1+ D4) na Face Sul do Morro do Corcovado, mais conhecida como a Via dos Austríacos. Esse último nome vem dos conquistadores da via, quatro escaladores austríacos do Alpinschule Innsbruck (Escola Alpina de Innsbruck) que fica na Áustria.
Eles fizeram a primeira ascenção da fantástica e belíssima Face Sul do Corcovado no ano de 1974. Para saber mais detalhes dessa famosa conquista, confiram o final dessa matéria com uma reportagem histórica da Revista Manchete da finada Editora Bloch feita na época (textos e fotos na íntegra). Só me explique, por favor, se alguém puder, qual era a finalidade desses incríveis balões vermelhos utilizados na conquista da via (veja na foto logo acima e na foto no final da matéria)!
A Restauração da Via
Há uns dois ou três meses atrás o escalador Adrian Giassone ouviu um comentário de que haviam quebrado dois grampos de progressão no último esticão da via dos Austríacos. Os escaladores Christian Sens e o Luiz Paulo "Vinil" com a notícia logo manifestaram interesse em repetir a via, aproveitando para colocar parafusos no lugar dos grampos quebrados.
Vale ressaltar que todo o trabalho feito na via é parte do excelente GT de Manutenção de Vias da FEMERJ. Eis o relato do Christian Sens sobre os trabalhos na via, que começaram em um belo Domingo, no dia 07/08 passado:
"Em agosto passado, o escalador Luiz Paulo 'Vinil' e eu planejamos repetir a via dos Austríacos à vista e com o intuito de substituir por parafusos os grampos com olhais partidos e incluí-los onde esses não existiam mais.
Entramos no Parque Lage as 7 h e chegamos a base da via as 8 h, nos preparamos e iniciamos a escalada. O combinado seria revesar a guiada para ser o mais rápido possivel e pois a meta era concluir a via no Domingo mesmo, porém após o 4º esticão, o Vinil pediu para que eu seguisse guiando toda a via.
Já no 3º esticão foi colocado um parafuso onde estava faltando um grampo de 1/4". Seguimos escalando e no esticão abaixo do platô, logo abaixo do mesmo, um grampo com o olhal partido foi substituído também. Sugeri também ao Adrian Giassone (GT Manutenção de Vias FEMERJ) a possibilidade de se colocar um parafuso logo abaixo do platô para se evitar a utilização de uma fragil raíz para fazer o domínio do mesmo.
Já quase no fim da via, uns 30 a 40 metros de seu final, encontrei mais um lance com um grampo com olhal partido, e mais acima, passando um grampo de 1/2", um lance sem os grampos de 1/4". Por causa do horário - já eram 19 h - eu decidi não trocar o grampo com o olhal partido e seguir adiante e ao chegar lo lance sem os grampos tentei utilizar os buracos deixados por eles para minha progressão em cliff. No primeiro furo consegui, mas o segundo era impossivel. Então desci e fui para uma parada dupla que se encontrava a 15 m de onde estava, chamei o Vinil e ele foi para o lance onde bateu um parafuso no lugar do primeiro buraco, com direito a marreta começar a soltar o peso. Porém nesse intervalo muito tempo foi perdido e aí já eram 21:30 h.
Já vencidos pelo cansaço e também preocupados com o tempo decidimos descer e passamos por uma novela de 2 h rapelando a via (não sei ainda como tem gente que gosta). No penúltimo rapel tivemos ainda a sorte da corda ficar presa naqueles grampos de olhal oval (que maravilha!). Por sorte a corda prendeu próximo a ponta, então não pensamos duas vezes e fixamos a corda, descendo em corda única e novamente por sorte a corda chegou ao chão com uma sobra de meio metro (ufa!!). Depois disso, mais 1 h naquela trilha "maravilhosa" e as 00:30 h saímos do Parque Lage."
No dia 24/08 passado, Adrian Giassone e Miguel Monteza voltaram a via dos Austríacos para completar o trabalho de manutenção imediata, onde eles bateram três parafusos. O primeiro parafuso abaixo do platô do bivaque, pois um grampo de progressão (Stubai) estava extremamente corroído, com o olhal já "aberto". O segundo foi no último esticão, que se encontrava na mesma situação do anterior (grampo de progressão corroído), logo depois da parada dupla. Já o terceiro, também no último esticão, foi colocado para substituir um grampo que havia quebrado numa queda há uns meses atrás.
Desta forma a via volta a ser escalável em A1, sem uso de cliffs. E algumas boas dicas do Adrian para repetir a via: no último esticão laçar os grampos stubai com o nut de cabo e colocar um mosquetão no olhal para o nut não sair. A outra é para os mais baixos e consiste em emendar dois nuts de cabo para alcançar alguns parafusos ou grampos, afinal de contas os austríacos eram altos!!!
Os
restauradores ressaltam que ainda há alguns grampos de progressão
em estado precário, mas estes nao inviabilizam a repetição
da via, pelo contrario, dão aquele "tempero" obrigatório
a mais, comme il faut!
A Conquista de um Clássico
Como dito acima, a via Diretíssima Face Sul (A1+ D4) na Face Sul do Morro do Corcovado, mais conhecida como a Via dos Austríacos, foi conquistada em 1974. O nome mais conhecido da via vem justamente a partir da origem dos conquistadores da via, quatro escaladores do Alpinschule Innsbruck (Escola Alpina de Innsbruck) na Áustria: Hannes Gasser (principal figura da Escola, falecido em agosto de 1996), Werner Heim, Erick Fabris e Josef Walter.
Foi a primeira ascenção da fantástica e belíssima Face Sul do Corcovado. E existe ainda um terceiro nome para a Diretíssima, que foi batizada originalmente pelos escaladores austríacos de "Route Tirol", ou seja, via Tirol. A conquista contou até com comemoração no cume com direito a presença do cônsul geral da Áustria e autoridades locais. Alguns termos utilizados na matéria são hilários. Alguém pode me explicar o que é uma "laçada de apoio"? E o equipamento utilizado? Bom, nada demais se não fossem os já mencionados misteriosos balões vermelhos.
A propósito, dessa galera acima mencionada, o Hannes Gasser e o Werner Heim também fizeram parte da conquista, feita em 8 dias, da igualmente clássica via Íbis (6º VIIa E2) na Face Norte do Pão-de-Açucar, que foi realizada em 1972 com a adição dos escaladores Felix Kuen e Otto Lorenz.
Confiram logo abaixo a íntegra do texto e fotos (em alta resolução) publicadas na finada Revista Manchete, da finada e mítica Editora Bloch, sobre a conquista da via dos Austríacos. Publicada no dia 25 de Maio de 1974, a revista é um achado histórico, encontrado casualmente durante uma pesquisa de propagandas antigas do whisky Ballantine´s (cortesia de Beatriz Simões). Faltam 1 ou 2 páginas, quem por um acaso conseguir o que falta, o site agradece!
Faltam 1 ou 2 páginas desse conjunto, quem por um acaso conseguir o que falta e me enviar, o site agradece! Para mais informações e croqui da via Austríacos, consulte o seu maravilhoso Guia da Floresta da Tijuca e informações e croqui sobre a via Íbis na Face Norte do Pão-de-Açucar, não deixe de conferir o seu fantástico Guia da Urca, ambos de Flávio Daflon & Delson Queiroz (ver também seção de GUIAS do ViaCrux).
Colaboraram gentilmente para essa matéria: Adrian Giassone, Christian Sens, Beatriz Simões e Mônica Pranzl.
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Atalho do Diabo: desafio na Face Sul do Morro do Corcovado
07/09/05: [Por Luis Claúdio "Pita"] A época era julho de 1989 e a intenção era conquistar uma nova via na Face Sul do corcovado. Já existiam ali as vias Tragados pelo Tempo (A3 VIIa), a recente Oitavo Passageiro (8º VIIIb A1 E2), a Via dos Austríacos (A1+), que então estava desativada e a Chaminé Rio de Janeiro que já na época era lixo puro.
O Atalho do Diabo (8º IXc E2) na verdade foi um projeto do Marcos Vidon e eu fui convidado a participar da conquista, que contou também mais tarde com a presença dos escaladores Alexandre Portela e Sérgio Tartari. Queríamos arrumar um patrocínio para a conquista e, como gancho para a imprensa, aproveitamos a deixa ecológica da luta contra o lixo. Fizemos várias matérias algumas semanas antes e aí conseguímos o patrocínio da Brahma.
Entramos na parede numa sexta-feira e no sábado uma frente fria entrou deixando o tempo chuvoso por uma semana. Mesmo com chuva conseguimos conquistar metade da parede. Não sei porque o Marcos desistiu da parede e aí me vi obrigado à convidar Serginho e Alexandre para me ajudar. Foi com o Alexandre que a via tomou no entanto rumo e decidimos mudar seu estilo que era artificial para livre.
No inverno de 1991 a via ficou pronta. Pelo que me lembro ao longo de 13 anos devo tê-la repetido umas 30 vezes, pois o Atalho do Diabo é uma das via mais lindas que eu conheço. A segunda enfiada foi graduada em 10a e até hoje não foi encadenada guiando, apenas participando, pois o guia tem que tentar uma cadena sacando costura. Desse modo, a via ainda oferece um desafio: um belo de um redpoint, até hoje não realizado.
Pouquíssimas pessoas freqüentam a Face Sul do Corcovado até hoje, o que é uma benção, pois assim preservamos nosso paraíso particular. Em meados de 1998 a via dos Austríacos foi regrampeada (e recentemente sofreu umas restaurações), o que fez com que a verticalidade da Face Sul do Corcovado ficasse ao sabor de praticamente todos que quisessem um dia nela se aventurar.
O Atalho do Diabo sofreu algumas alterações após um rapel noturno do Gustavo Sampaio, mas logo em seguida o incidente foi resolvido. No mesmo dia em que foi reparado o engano causado no mencionado rapel e num ímpeto de purismo, ainda arranquei um grampo original deixando a via mais em móvel. Hoje em dia me pergunto porque essas pessoas que querem ganhar fama e prestígio arrancando grampos de vias consagradas, não vão lá no Corcovado provar um pouco do purismo à que se agarram tanto com unhas e dentes? E o que eles diriam da Sinfonia do Delírio (7º VIIc E2) no Pico dos Quatro, que tem 10 enfiadas e apenas cinco grampos?
Mas
isso é outra história...
Luis Cláudio "Pita" é carioca, escalador
e dono da ByPita.
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Encontros e escaladas no 3º Festival do Sul de Minas em Itajubá
08/09/05: [por Fábio Muniz] É bom ir pra Itajubá. Lá se sente uma felicidade simples e percebemos que nosso esporte cresce de uma maneira consciente e bem ordenada. Desde a primeira vez que tinha ouvido falar sobre a galera e as vias de lá, através da Mônica Pranzl, estava esperando uma boa oportunidade para conferir o lugar.
O 3º Festival de Montanha do Sul de Minas em Itajubá, que aconteceu nos dias 17, 18 e 19 de agosto desse ano, foi uma bela desculpa para isso, e então partimos eu e mais um grupo daqui do Rio, tendo a espectativa de encontrar muita gente e rocha pela frente. Além do mais, lá não faltavam para mim projetos para encadenar à vista e a minha viagem para o Valle Encantado e para o Frey [ver matéria na seção ARTIGOS do dia 29/03/2005 no ViaCrux] já estava me deixando com saudade do gostinho de uns prováveis "onsights" que podia estar me esperando em terras itajubenses!
A ida daqui até lá é tranquila (uma quatro horas), só tendo que se orientar bem quando se chega em Itajubá. Até chegar a área de escalada, se cruza boa parte da cidade. Chegamos na quinta a noite e pudemos aproveitar bem as escaladas e os eventos que aconteceriam a partir de sexta até domingo. Rolou tudo o que um evento desses deve ter: reencontro de escaladores de vários estados, apresentação de palestras (todas bem ligadas no que está acontecendo, destacando-se a meu ver o projeto Adote uma Montanha, que é de bastante importância) e tentativas é claro e como não poderia faltar, de encadenamento de projetos em rocha.
O evento ainda teve participação da itinerante exposição de fotos de escalada instHabilidade da fotógrafa Marcela Chaves. Vejam as fotos do evento na galeria abaixo:
Ficamos
no abrigo do Clube Montanhista
Itajubense (CMI), bem em frente a Falésia
da Piedade, local onde se encontram a maior quantidade de vias da região.
O clima é de aconchego, com ótima área para acampar e
estacionar. Detalhe: pra quem estiver naquela de preguiça e comodidade,
e não quizer caminhar nem 20 min é só pegar o carro,
parar próximo à base e andar uns 5 minutos (pelo menos isso
para não deixar de dar aquela aquecidinha básica, pô!).
Quando se olha a falésia de fora não se imagina o que pode se
esconder ali. Pra resumir: acho que há poucos lugares no Brasil em
que se encontre fendas, vias esportivas e boulders tão próximos
uns dos outros e de qualidade como ali. As vias são notavelmente diferentes
entre si, inclusive as fendas.
A rocha é um granito, que em algumas partes se parece com a Falésia do Cabeça de Cachorro em Petrópolis, mas no geral é bem particular. A fenda Nem Fudendo (7b) surpreende por ser bem contínua e ter suas paredes internas bem planas, favorecendo perfeitas colocações de material móvel. As vias esportivas Lambidão (8c/9a?) e Waimea (9b) são muito, muito bonitas! Quanto aos boulders, há para todos os gostos e um bom número de problemas de V9. Acabamos, no entanto, ficando na falésia e deixando os blocos para outra oportunidade.
Há
também outros picos para escalar relativamente próximos. São
eles a Serra
de Pedrão (com vias de vários esticões), a Falésia
dos Olhos (local com vias esportivas fortes) e o Paraíso
dos Bordis (local de nome pitoresco e singular com grande potencial para
se escalar boulders). E tem mais: há, ao alcance visual do abrigo,
outras falésias virgens "esperando" serem conquistadas, já
sendo propostas para futuros festivais!
E em tempo, meus queridos "à vista" acabaram rolando em terras
itajubenses, matei as saudades da minha viagem ao Valle Encantado!
Se quiserem conferir uma das vias por mim "avistadas", entrem aqui no site escalada.rr.nu e vejam o vídeo da cadena da via Waimea (9b) na Pedra da Piedade (procurem outros vídeos de escaladas da região no site). Confiram também no escalada.rr.nu um pequeno artigo sobre essa e outras cadenas que rolaram durante o Festival.
Agradeço
a descontração, informações e receptividade dadas
por Orlando, Luciano, Juliano, Thiago, Bolão, Reinis, e tantos outros
que estavam lá. Melhor retribuição seria com um Festival
tão organizado como esse aqui no Rio. Bom, temos 5a edição
da Mostra
Internacional de Filmes de Montanha e o seu Festival
de Filmes de Montanha do Rio, que irão acontecer nos dias 4 e 5
de Novembro e que não deixa nada a dever [ver
NOTICIA do dia 11/08/2005 no ViaCrux]!
Agradecimentos finais ao meu patrocinador Equinox.
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Mais informações,
fotos e vídeos sobre Itajubá, entre no site oficial de
3º Festival
de Montanha do Sul de Minas. E na seção de artigos
do ViaCrux, pode
ser conferido um pequeno artigo do escalador Luis
Cláudio Pita sobre o point [artigo
publicado no dia 10/05/2004]. Outras boas fontes: CMI,
Triboo e a última
edição da Revista
Headwall (nº11). |
Fábio Muniz é petropolitano, escala há quatorze anos e é patrocinado pela Equinox .
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Etapa III do Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva 2005
12/09/05: No dia 17 de Setembro de 2005, próximo sábado, será realizada em Curitiba a Etapa III do Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva 2005. O local do evento será na matriz do Ginásio de Escalada Campo Base com seus 600 m² de paredes escaláveis.
Logo após o campeonato haverá uma festa de comemoração dos 7 anos de atividade do Campo Base, quando irão rolar DJs de São Paulo e Curitiba e onde também serão entregues as premiações da competição.
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Campeonato
Brasileiro de Escalada Esportiva 2005 - ETAPA III |
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Local |
Ginásio
de Escalada Campo Base [Matriz] |
| Endereço |
Rua
Travessa da Lapa nº 400 |
| Contatos | Tel.
(41) 3013-0897 & 3024-0897 E-mail 1: contato@campobase.esp.br E-mail 2: ricardo@campobase.esp.br |
| Data |
17
de Setembro de 2005 |
Horário |
09h00
às 18h00 |
| Inscrições |
Informe-se
no próprio Ginásio Campo Base: (41) 3013-0897 & 3024-0897
ou pelo e-mail contato@campobase.esp.br
ou ricardo@campobase.esp.br. |
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OUTUBRO
DE 2005
As férias do ViaCrux e do InfoSalinas terminaram - o que era doce...
16/10/05: As devidas férias do ViaCrux e do InfoSalinas terminam hoje, Domingo, dia santo e de descanso. Depois de atualizar o site praticamente sem parar desde seu início em 2002, sem contar com algumas crises de identidade no meio do caminho, o webmaster mais do que merecia deixar a página quieta num canto durante um tempo. Alguns leitores reclamaram a ausência, como sempre para meu eterno espanto. A compensação para esses poucos gatos pingados veio outro dia na forma de algumas horas organizando material novo para o site. Fiquem ligados!
A propósito, chegou o bendito horário de verão, o que significa mais um tempinho extra na falésia, na parede, na praia, etc.
E para quem ainda não sabe, o ViaCrux agora tem uma página no famigerado Orkut:
http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=4841247778703616995
Famigerado, mas a maior mão na roda para um pobre webmaster de site de escalada fazer alguns preciosos contatos. Para entrar no link acima você tem que fazer parte da comunidade "orkutiana". Em tempo, o orkut do ViaCrux é somente para escaladores, todos mais do quem bem-vindos. E não deixem de entrar para a comunidade do 'Eu conheço o Gomes da Urca'.
Adicionem!!!
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17/10/05: Nos dias 24 e 25 de Setembro passados, rolou em Paraisópolis, Minas Gerais, a edição 2005 do conhecido Festival de Escalada BloX. O evento contou como sempre de muita escalada, festa, música e nesse ano ainda contou com exposições de fotografia (incluindo a itinerante exposição instHabilidade da escaladora e fotógrafa Marcela Chaves, que pode ser em parte conferida na seção de ARTIGOS do ViaCrux), projeção de filmes e feira de equipamentos.
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| Blox
2005 - Imagens: Arquivo Elizeu
Frechou
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"O BloX deste ano foi excelente. Muito trabalho, mas a satisfação foi de acordo também. Tivemos 290 pessoas participando e isso é muito bom pois dá um gás no mercado", afirma um dos organizadores do evento, o escalador Eliseu Frechou. "Não tivemos nenhum incidente e apesar da chuva em Sampa, a galera de outros estados compareceu em peso, o que foi uma agradável surpresa".
O Blox nesse ano não ficou restrito aos blocos, como era o hábito de outras edições do festival. O evento aconteceu em uma área pequena mas bem explorada e aproveitada e haviam inclusive vias esportivas de ótima qualidade técnica e vias em móvel também. Isso fez com que houvesse uma outra atmosfera e integração não só com escaladores de boulder, mas também de falésia, uma idéia que bem que poderia ser seguida em outras edições desse e de outros festivais, caso possível..
A presença
de escaladores de renome se repetiu e confirmou essa tradição
do festival, o que contribui bastante para que eventos em ambiente natural
sejam cada vez mais valorizados e procurados. Pintaram no local escaladores
de São Paulo, Rio de Janeiro e Sul de Minas Gerais, mas também
comparecereu a galera do Sul, Guilherme "Guili" Zavaschi e Thiago
Balen, e também o Eduardo "Duda" Carvalho voltando do exterior
com o pessoal de Brasília.
O petropolitano Fabio Muniz, foi um dos integrantes do bonde carioca. "No
dia do evento só escalei na parte da tarde, pois fiquei ajudando a
Marcela Chaves na montagem da exposição de fotografias dela.
Ela acabou tendo que ficar lá não podendo escalar, nem tirar
umas boas fotos pra gente", diz. "Entretanto aproveitei
bem as oportunidades (tava lá pra isso, né?) mandando um projeto
(que acabou saindo por umas passadas não imaginadas antes) de 8c à
vista, e um boulder de 8c forte de praticamente 2 movimentos bem legal. Infelizmente
não haviam boulderes muito difíceis pra galera que se amarra
mesmo".
À noite, na praça da igreja de Paraisópolis (mesmo local onde estavam pela manhã os estandes dos patrocinadores e as exposições fotográficas), houve projeções de 2 filmes: Brasil Vertical 2 com os escaladores gaúchos Guili e Balen mandando a via Massa Crítica na Barrinha, Rio de Janeiro (com a participação dos cariocas Fábio Muniz e Tadeu Scaf), e um filme de escalada de Goiânia no Cocalzinho, que apresenta uma área de boulder que parece ser alucinante! Os gaúchos pretendem vir ao Rio de Janeiro aqui pra fazer uma mostra do filme. Vamos aguardar!
E ainda rolou a "balada" trance que o Eliseu Frechou costuma agitar, só que dessa vez foi em um ginásio com direito a vídeos da galera rolando no telão enquanto a música comia solta. É bem maneiro, só que escalador costuma "chapar" pelas 2 horas da manhã (com exceção dos mutantes), hora de dormir, pois o dia seguinte ainda guardava o melhor do festival: mais escaladas.
Amanhã no ViaCrux, um pouco dessas escaladas serão contadas aqui, e com fotos. Aguardem!
E agora só resta aguardarmos também pela próxima edição do Blox em 2006!
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Entrem na página do excelente Escalada.rr.nu, onde na seção MULTIMIDIA-VIAS BRASIL vocês poderão conferir um vídeo, entre outros, do Arjuna trabalhando a via Fullon. E quem quiser mais informações sobre a falésia e a região, consulte o Manual de Escaladas e Boulders da Pedra do Baú e Região de Sul de Minas (5a Edição) do escalador Eliseu Frechou (conforme anunciado aqui no dia 15/04/2005). O Guia pode ser comprado em lojas de equipamento especializadas ou então através do site da Revista Mountain Voices. |
Colaboração: Mônica Pranzl, Fábio Muniz, Orlando Mohallem e Elizeu Frechou
[Início]
18/10/05: Nos dias 24 e 25 de Setembro passados, rolou em Paraisópolis, Minas Gerais, a edição 2005 do conhecido Festival de Escalada BloX. Continuando o texto de ontem, vamos hoje falar mais sobre o segundo dia do evento, mais especificamente um pouco do que rolou na já conhecida Falésia dos Olhos.
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Falésia
dos Olhos e a via Fullon
No segundo dia do Blox, e à convite do escalador local Arjuna Sundára,
o escalador Fabio Muniz e os gaúchos Guili e Balen tomaram rumo em
direção a Falésia dos Olhos. O local é muito bem
aproveitado. Arjuna foi o motivado escalador que equipou e encadenou a via
Fullon, realizando a primeira ascenção desse provável
10c, a mais difícil e uma das mais bonitas vias do local [confiram
o artigo sobre essa cadena da via na seção de ARTIGOS do ViaCrux
do dia 26/05/05]. O dia estava meio chuvoso e para nossos amigos só
poderia ser lá a escalada do dia, mesmo porque há um grande
teto na parte de cima da falésia que protege a maioria das vias do
mau tempo.
"Só pelo fato ter estado com amigos que vejo pouco, e ter vias à vista para entrar, o dia já estava ganho", conta Fabinho. "Escalo com o Guili e o Balen a muito tempo (quando a gente se encontra e nas viagens, né?) e a vibe é das melhores! Apesar do tempo as agarras não estavam úmidas. Arjuna botou ótima pilha para entrarmos nas vias à vista e provarmos a Fulon."
Os escaladores já chegaram no ritmo devido. Os trabalhos do dia começaram pelo Guili, que encadenou em flash a Na Sika (9a). Com o incentivo dos amigos e das costuras pré-colocadas pelo Arjuna, Fabinho entrou na via Era Venenosa (9c).
"A via saiu, pingando goteira na cara para última chapa e neguinho pondo pilha feroz lá embaixo", conta Fabinho. "Meu primeiro 9c à vista no Brasil. Era Venenosa...agora é sã!" Fabinho diz que estava bem nesse dia, fisicamente, mas principalmente mentalmente. Não tinha ido lá para provar a Fulon, mas percebendo que suas condições físicas eram favoráveis e, juntando mais a força do Arjuna, ele pensou: por que não? E lá foi ele arriscar uma tentativa em flash da via.
"Antes de entrar na Fullon peguei vários betas e ví o Leandro (amigo do Arjuna, que está quase mandando a cadena) escalando a via", relata Fabinho, que descreve a Fullon assim: a via começa num 9b de mais ou menos 13 metros com uma boa agarra de descanso, e segue para sequência final que contem um boulder de 8c bem, bem explosivo, culminando então com um bote lateral para um tridedo bom. "Escalei bem até o descanso, recuperei o suficiente, e as passadas no boulder estavam saindo precisas", continua Fabinho. Fui ficando ligadaço e excitado com aquilo, ainda mais com a galera gritando, gritando, e eu dei o bote final quase no susto!"
Fabinho disse que nunca sentiu uma cadena desse jeito tão próxima. "Cheguei a tocar na borda do tridedo (como disse Arjuna), e cai. Foi a minha melhor melhor tentativa em flash até hoje. Estava tarde. Tentei trabalhar o lance final de outra maneira, mas não saiu. O cansaço bateu, e desci, contente pela tentativa em sí".
E quanto ao grau da via? Fabinho, Arjuna e o resto da galera tiveram uma conversa sobre o provável grau da Fullon. Mesmo com seu ótimo desempenho na via, Fabinho acha que menos de 10b a via certamente não é. Sem substimar a primeira parte com o relativo descanso, o escalador petropolitano acha que o boulder mais o lançamento faz com que o grau da via suba. "Para mim pode ser um 10b forte, exigindo uma concentração extra no final", afirma.
Outras cadenas da via vão começar a rolar num futuro próximo, e elas irão dizer mais precisamente qual é o do grau dessa bela via. Há ainda um projeto que pode também pegar 10b. Muita gente não sabe o que está perdendo, pois há outras vias maneiríssimas, e o pico é evolutivo e bem bonito. Vambora!
E só resta agora esperar pelo Blox 2006!
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Entrem na página do excelente Escalada.rr.nu, onde na seção MULTIMIDIA-VIAS BRASIL vocês poderão conferir um vídeo, entre outros, do Arjuna trabalhando a via Fullon. E quem quiser mais informações sobre a falésia e a região, consulte o Manual de Escaladas e Boulders da Pedra do Baú e Região de Sul de Minas (5a Edição) do escalador Eliseu Frechou (conforme anunciado aqui no dia 15/04/2005). O Guia pode ser comprado em lojas de equipamento especializadas ou então através do site da Revista Mountain Voices. |
Colaboração: Mônica Pranzl, Fábio Muniz, Orlando Mohallem e Elizeu Frechou
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Pedro Gomes: Ás também na parede!
19/10/05: No mês passado, o escalador Pedro Gomes guiou encadenando a via Ás de Espadas, na Face Sul (6° 6°Sup) na Face Sul do Pão-de-Açucar, Setor do Coringa. É uma das vias clássicas da montanha, e certamente uma das mais frequentadas apesar de não ser uma via que sai inteiramente de graça. A sua famosa "retinha" na segunda enfiada é dos lances mais conhecidos da Urca. Bem protegida, essa via de 4 enfiadas de corda é meio reglete, meio agarrência, tecnicamente trabalhosa sob alguns aspectos, não podendo o escalador dar mole, senão pode ser vaca certa. Bom trabalho de pé é fundamental para guiá-la tranquilamente.
"Com
apenas 12 anos, acho que foi a cadena mais nova da via", comenta
seu irmão Caio, também escalador. "Eu e meu pai ficamos
de boca aberta com a
confiança que ele demonstrou guiando a via, e no crux ele passou muito
bem".
A propósito, os miquinhos que vivem na Pista Claudio Coutinho se alimentando trash food de turista não comentam outra coisa senão a crença de alguns escaladores de que o grau geral da via pode ser na realidade um 7a. Como já foi dito aqui, em outro contexto, o "macaco tá certo", mas será esse novamente o caso?
Enfim, polêmicas a parte (mais uma!), a notícia acima não deveria ter tanto alarde, se não fosse a idade de Pedro: apenas 12 anos. O Brasil parece já ter mesmo entrado na tendência mundial de fabricar monstrinhos da escalada, pequenos seres mutantes que deixam muitos de nós marmanjos morrendo de vergonha, seja na falésia, no boulder e na parede.
Lá fora a lista é extensa e forte, a começar pelo próprio Chris Sharma, hoje já com uns 23 anos, velhinho, mas que começou bem cedo e com 15 anos já havia mandado em um único dia duas vias de 5.14a (quase mandando uma delas à vista) em um único dia e já contava no bolso com um respeitável V13, grau máximo de boulder na época. Nessa lista ainda entram, Lynn Hill (essa é das antigas mesmo!), Katie Brown, Torie Allen [ver texto na seção de ARTIGOS do ViaCrux], Chris Lindner, Dave Graham, fora a lista enorme de desconhecidos. Aqui no Brasil, a lista cresce: Daniel "Coçada", Raquel Guilhon (esses já podem ser considerados "das antigas"), os emergentes Bianca Castro e os irmãos Pedro e Caio Gomes, e o espantoso Felipe Camargo, que simplesmente faturou o 1º lugar na categoria de Masters no Campeonato Paulista 2005.
Aqui no Brasil, a cadena de Pedro se destaca ainda mais pelo fato de boa parte desses montrinhos se dedicarem quase que exclusivamente ao ambiente de conforto e relativa segurança de muros indoor e das falésias Brasil afora, e nelas continuarem anos a fio. Difícil encontrar um monstrinho em parede, ainda mais em uma mais "chatinha", talvez pelo fato de que os nossos pais ainda tem horror absoluto da nossa atividade.
Pedro ainda encadenou a via Saboneteira na segunda tentativa. A via é um curto 7b de uns 20 movimentos, que fica na famosa Pracinha de Itacoatiara em Niterói. A propósito, o nome original da via é Olho Gordo para quem a conhece pelo nome original. Pedro entrou a primeira vez e caiu no dinâmico que tem no fim, porém na segunda vez ele conseguiu isolar o lance final de modo estático, catando apenas com a ponta dos dois dedos da mão esquerda.
“Entrei a primeira vez após ver meu irmão equipando, cai na ultima passada", conta Pedro. "Animado pela boa entrada, resolvi entrar na seqüência acho que descancei menos de 2 minutos.”
Velhos tempos
aqueles que um 7b era o horror dos horrores dos antebraços de uma geração
de escaladores não muito distante da nossa!
O escalador Pedro Gomes tem patrocínio do Kioshi
Terapias Orientais e Mr. Rock.
[Início]
Flavio Daflon e Cintia Adriane: viagem européia em Slides
19/10/05: O Centro de Escalada Limite Vertical tem o prazer de convidar a todos para mais uma edição do Projeto Espaço Vertical. Flávio Daflon e Cintia Adriane, autores junto com o escalador Delson Queiroz, dos excelentes Guias da Urca e da Floresta da Tijuca, recentemente fizeram uma viagem pela Europa visitando diversos points famosos de escalada na Europa.
Venha curtir uma projeção de slides com belas imagens e muitas histórias interessantes dessa aventura Européia vivida pelo casal. E de quebra, o murinho do Limite Vertical ainda vai estar funcionando normalmente
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Projeto
Espaço Vertical Flavio Daflon & Cintia Adriane: Tour Européia, Estórias e Fotos |
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Local |
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| Endereço |
Rua
Bambina 141 fundos, Botafogo |
| Telefone | Tel.: 2527-4938 |
| Data |
9
de Outubro de 2005 |
| Horário |
20:00h |
| Ingresso |
Entrada
Gratuíta |
[Início]
A via The Nose é novamente encadenada em livre em 1 dia
19/10/05: Um dos grandes feitos do século passado, em 1994, foi certamente a cadena da via The Nose (5.13c or 5.9 A2) em Yosemite, California, nos EUA, em apenas 23 horas pela escaladora americana Lynn Hill, que havia feito também a primeira ascensão em livre da via até então no ano anterior. A cadena das 33 enfiadas da via, que fica no imponente El Captain, foi feita inteiramente em livre e guiada. Muita gente boa e forte tentou ainda repetir o feito, entre eles Yuji Hirayama e Leo Holding, sem obter no entanto sucesso.
Podemos citar ainda a ascenção em livre do escalador Scott Birch, só que ele fez o lance do "Great Roof" (Grande Teto), até então isolado somente pela Lynn, em top-rope. E a via foi liberada por ele ao longo de... 261 dias não seguidos!!! Segundo a própria escaladora, uma determinação de respeito, apesar dos pesares.
Depois de tantas conquistas e evolução no mundo da escalada desde 1994, Lynn costumava dizer que uma repetição da via em livre em um dia ou em menos de 23 horas era inevitável. Para ela, o grande desafio seria encadenar a The Nose em um dia só que à vista.
Não foi o caso do forte casal Tommy Caldwell e Beth Rodden, sem sombra de dúvida um dos melhores escaladores dos EUA, sobretudo Tommy, certamente um dos mais impressionantes escaladores da atualidade, "pau pra toda obra", tanto em parede, big-walls e esportiva. A dupla, contudo, conseguiu finalmente ao que parece, repetir a via em livre em apenas um dia depois de 11 anos.
Segundo a Climbing Magazine, no dia 17 de Outubro passado, Tommy mandou a via em livre em menos de 12 horas, levando uma queda somente no lance "Changing Corners" de 5.14a. A escaladora Beth Rodden, hoje Dona Caldwell, deu segurança para Tommy durante toda a escalada. Antes disso, os dois já haviam conseguido liber a via em 4 dias, revesando as cordadas. O casal, dois dias depois, foi tentar a ascensão em apenas 1 dia. A escalada começou por volta da meia-noite, eles chegaram a passar batidos por um outro grupo na via na seção lá pelas 3:00 horas no topo do Dolt Tower. Tommy guiou todas as enfiadas enquanto Beth jumareava e limpava a escalada. Por fim, Tommy liberou a via inteira em tempo recorde.
A própria Lynn Hill comenta o feito em seu blog no dia 18 passado: "É muito bom saber que a The Nose teve uma outra ascensão em livre (...). Esses dois escalando em livre a via provam algumas coisas: em primeiro lugar, Tommy e Beth tem o estado mental, habilidade e desejo ideais para fazê-lo! Eu escutei muitas vezes, 'Lynn pode fazer o lance do grande teto somente porque ela tem dedos pequenos'. Tommy não tem a ponta do seu dedo indicador em uma das mãos (N.T. devido a um acidente doméstico com uma serra), e mesmo se tivesse sido mais fácil para ele a escalada com todas as pontas dos dedos, claramente ele foi capaz de descobrir um meio para passar pelo lance. Ele provou minha opinião de que a atitude e espírito de uma pessoa é mais importante do que sua "maquiagem" física. A questão da escalada é se adaptar às características naturais da rocha e Tommy e Beth descobriram um meio de fazê-lo sem deixar que limitações físicas os distraíssem. Ambos adoram escalar, tem uma tonelada de experiência em escalar em todos os tipos de rocha, e fico contente em saber que eles foram bem sucedidos como um time!"
![]() El Capitan - Yosemite Park, EUA Lynn Hill no lance do "Great Roof" da "The Nose" (5.13c ou 5.9 A2) - Photo: Heinz Zak |
Depois desse jejum de 11 anos, finalmente a The Nose viu a sua primeira repetição da via em livre guiada e em 1 dia. Trata-se também da primeira cadena masculina nesse estilo. E tudo começou no longínquo ano de 1975, quando destemidos escaladores conseguiram escalar a via em apenas 1 dia, para espanto de muita gente, inaugurando assim o mítico NIAD (Nose in a Day).... mas isso é outra estória.
E em breve: Salinas in a Day! Aguardem!
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Diedro Vermelho, a Odisséia ou Novas vias em Além Paraíba,
MG
20/10/05: [por André Ilha] No início desse mês, o Rodolfo Campos (CEG) e eu finalmente terminamos uma via que havíamos começado há bastante tempo atrás, mas que nunca conseguíamos concluir porque aconteceram incontáveis problemas no seu decorrer.
A via é o Diedro Vermelho (3º V, 215 m), um espetacular diedro em rocha vermelha (!) existente às margens da BR-116, entre Além Paraíba e Leopoldina, do lado direito de que vai no sentido norte. É facílimo reconhecê-lo. A via é quase toda em móvel, exceto por dois grampos onde o diedro é muito largo mesmo para Camalots 5, e por uma parada dupla em grampos. As demais paradas são em móvel.
Ela começa por um costão de II (60 m), depois segue por um diedro fácil (II) voltado para a esquerda e aí, sim, chega na base do diedro vermelho, que é feito em uma enfiada longa (50 m) onde estão os dois grampos e o crux da via, e depois segue em horizontal para a esquerda por debaixo de um grande teto até à parada dupla. Outra enfiada em móvel para a esquerda, bem fácil mas com um lance final mais técnico, leva a uma parada móvel em um diedrinho voltado para a direita, onde existem grossas raízes secas, depois mais uma enfiada curtinha para a esquerda e para cima até outra parada móvel em mais um diedrinho voltado para a esquerda e, por fim, depois os lances finais até o topo, com direito a uma exótica horizontal para a direita pisando em uma raiz estrategicamente situada.
No topo varamos mato por algumas dezenas de metros para a direita e fizemos um rapel negativo alucinante em uma sólida árvore até à base do diedro vermelho, de onde mais dois rapéis em árvores nos deixaram de volta no chão. Duas cordas de 60 m são indispensáveis para descida, salvo para quem se dispuser a varar centenas de metros de vegetação fechada.
Os problemas começaram logo na primeira investida, quando o Rodolfo levou uma queda pavorosa em um friend que funcionou como deveria, mas não impediu que ele, já na elasticidade da corda, parasse encaixado em um diedro e perdesse a respiração por um bom tempo. A respiração voltou, no entanto, e contrariando a lógica nenhum osso se partiu, mas voltamos imediatamente para o Rio onde ele passou o mês seguinte (suas primeiras férias em anos!) de molho, cheio de dores.
Depois foi a chuva. Marcamos incontáveis vezes uma nova investida, mas sempre chovia. Uma vez chegamos a ir até lá mas nem tiramos o material do carro, devido a um temporal.
Depois foi o sol, o inclemente sol em uma parede voltada para norte num lugar mais quente do que o Saara. Foram dois dias de intenso sofrimento e perseverança, quando, pelo menos terminamos a enfiada-chave da via (o diedro vermelho propriamente dito) e conquistamos a Variante Hipertermia (Vsup, 30 m), toda em móvel, variante do fácil diedro incial de II e cujo nome foi muito bem escolhido pelo Rodolfo. O esquecimento das chaves do carro na base do diedro vermelho quando já estávamos na base prontos para correr até o bar mais próximo foi um teste de auto-controle, e o violento encontro do Rodolfo com uma moita gigante de arranha-gato ao pendular na subida de prusik para resgatar as chaves rendeu um divertido artigo, o Diedro Vermelho, Diário de uma Odisséia.
Neste sábado, finalmente, tudo correu bem na escalada e na descida, mas o Diedro Vermelho ainda não tinha esgotado os seus truques.
Ao chegarmos ao carro, nós o encontramos com três pneus esvaziados e o morador das terras em frente nos esperando ao lado dele com uma bomba manual. Embora na vez anterior o arrendatário daquelas terras nos tivesse recebido muito bem e liberado a escalada, ele deixou de ser arrendatário e não falou nada para a proprietária, que ao ver o carro nos qualificou de "invasores" e quis chamar a polícia. O vizinho a demoveu dessa idéia de jerico, mas o filho da mulher, para nos castigar por um crime que não cometemos, esvaziou os pneus. Trocamos o estepe pelo pneu mais vazio, demos umas bombadas nos outros dois e fomos até a casa deste salvador vizinho, Sr. Roberto (e seu encarregado, Sr. Fernando), que tinha um compressor onde enchemos direito todos os pneus e seguimos viagem para tomar uma cerveja, esquecer nossas agruras e comemorar a conquista que, afinal, é ótima! O Sr. Roberto disse que quem quiser escalar lá pode deixar o carro em sua propriedade, e que ele até liga para a dona para evitar novos mal-entendidos. Ou seja, problema resolvido!
No dia seguinte, domingo, aparentemente conquistamos uma linda agulha de mais de 100 metros de altura, que batizamos de Torre de Marinópolis (nome da localidade onde ela se encontra, também em Além Paraíba). Ela fica bem no início da estrada que liga Marinópolis a São José (ou outro santo qualquer) do Aventureiro, e embora o Fabinho de Juiz de Fora tenha começado há anos atrás uma conquista ali, e chegado bem alto, não a completou até hoje. Segundo TODOS os antigos moradores da região, ninguém havia chegado ao seu cume ainda, embora pela face mais fácil, que foi a que seguimos, o único trecho obrigatório de pedra parecesse bem fácil. E, de fato, não encontramos quaisquer vestígios da passagem de ninguém por ali, mas empre fica uma duvidazinha.
Levamos um material bem leve mas nem o usamos, pois trata-se de um costão que dispensou até a corda - embora ela pudesse ser útil na descida em caso de chuva. Como não soltamos morteiros, e nem gritamos, o Zé Nilton, simpático encarregado da Fazenda Cafelândia, de onde partimos para a caminhada, não acreditou que nós tivéssemos chegado ao topo de fato - ou seja, passamos por mentirosos, mas o que se há de fazer?
Queríamos depois conquistar uma fendinha nas imediações, mas o forte calor nos fez mudar de idéia e voltar mais cedo para o Rio. A Torre de Marinópolis, todavia, fica como uma agradável opção de caminhada leve em uma região ainda não completamente devastada e bastante diferente dos roteiros usuais.
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Action Direct, mais 3 repetições da mítica via em Frankenjura
na Alemanha
24/10/05: Um clássico é sempre digno de nota. Até maio de 2003, a mítica via Action Direct, localizada em Waldkopf, Frankenjura na Alemanha, só havia passado por 5 cadenas. E apenas 4 privilegiados mortais haviam conseguido botar no bolso e repetir a clássica via, aberta e encadenada pelo nosso conhecido e cumpadi, o finado escalador alemão Wolfgang Güllich em 1991. O grau sugerido na época foi um assombro, mais uma barreira na escalada esportiva quebrada pelo talentoso escalador alemão: 9a francês ou 5.14d americano.
Como é sabido o grau da via está mais do que confirmado, a extrema dificuldade da curta e explosiva via não deixa ninguém mentir com direito a lances incríveis com monodedos e bi-dedos de uma só falange em uma rocha extremamente negativa. A via acabou se tornando um padrão do grau, referência do mesmo na escalada esportiva, e ainda figura entre as vias mais difíceis do mundo.
Agora em outubro de 2005, com apenas 2 dias de diferença, a Action Direct viu mais duas repetições. A quinta repetição da via foi realizada no dia 13/10 passado pelo britânico Richard Simpson de 22 anos, que em oito dia de tentativas botou a via no bolso. "É uma via brilhantemente brutal", diz Simpson. "Estou muito contente de ter conseguido encadená-la, sobretudo por todo treinamento que tive que enfrentar".
Já a sexta repetição do clássico foi encarada pelo forte escalador japonês Dai Koyamada. "Enacadenar a Action Direct era o meu 'destino' desde que começei a escalar", diz entusiasmado. "Foi muito difícil, mas é certo que a linha da via é maravilhosa. É a via mais difícil que fiz até hoje".
E não pensem que as cadenas param aqui. Anteontem, o alemão Markus Bock realizou a sétima repetição da via após tentativas ao longo de 3 anos. "Para mim foi importante escalar a Action Direct, ela é de fato um clássico e o primeiro 9a mundial", comenta Markus. "E ainda por cima ela fica praticamente na porta da minha casa". Markus deixa claro, no entanto, que dá valor mais a uma cadena à vista de uma via difícil.
"Foi divertido tentar a via com os dois juntos (Dai e Richard)", ele continua. "Ali não se sentia nenhuma concorrência, cada um se sentia sinceramente feliz sobre a cadena do outro e no que diz respeito ao Rich, para ele foi natural, me assegurar depois de sua cadena da Action e me motivar a encadená-la também".
O seleto grupo dos encadenadores fica então assim:
| # | Escalador |
País |
Ano
da Cadena |
| 1 | Wolfgang Güllich | Alemanha |
1991 |
| 2 | Alexander Adler | Alemanha |
1995 |
| 3 | Iker Pou | País
Basco |
2000 |
| 4 | Dave Graham | EUA |
2001 |
| 5 | Christian Bindhammer | Alemanha |
2003 |
| 6 | Richard Simpson | Reino
Unido |
13/10/2005 |
| 7 | Dai Koyamada | Japão |
15/10/2005 |
| 8 | Markus Bock | Alemanha |
22/10/2005 |
E não deixem de ler hoje na seção de ARTIGOS do ViaCrux, a reedição com fotos inéditas Escalada Feminina no Brasil do artigo do escalador Antônio Paulo Faria, publicado originalmente em 2002 na Revista Fator 2. O artigo vem acompanhado de um texto no final com notas atuais sobre o cenário da escalada feminina no Brasil.
Fonte: 8a.nu, Desnivel & Climbing.de
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Morre
Luzia Caracciolo, a primeira mulher no cume do Dedo de Deus
25/10/05: [por Daniela Caride & André Neves] Dia 27 de setembro passado, a sócia honorária do Centro Excursionista Brasileiro (CEB), a escaladora Luzia de Freitas Caracciolo, faleceu aos fabulosos 91 anos de idade. Aos 19, Luzia se tornou a primeira mulher a chegar ao cume do famoso Dedo de Deus, localizado no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro – em uma época em que o montanhismo e a escalada em rocha eram atividades de domínio masculino, ainda mais no Brasil. Para a sociedade não soava muito bem uma mocinha de 19 anos se embrenhar no mato para chegar à base de uma montanha e escalar na companhia sempre de homens. Imaginem o espanto que isso devia causar.
E não foi a primeira vez que uma mulher causou espanto na escalada brasileira. A inglesa Enrieta Carstiers, em 1817, subiu a Face Leste do Pão-de-Açúcar, se tornando a primeira pessoa a conquistar o cume desta montanha. Como é de praxe, Enrieta fincou uma bandeira britânica ao chegar no topo, o que causou agitação na cidade do Rio de Janeiro. A audácia do gesto deve ter provavelmente despertado sentimentos nacionalistas dos colonizadores portugueses, ainda mais porque havia partido de uma mulher, o que na época também era motivo de escândalo. Motivado possivelmente pelo nacionalismo, um soldado português teria subido logo depois o Pão-de-Açúcar pelo mesmo caminho e substituído a bandeira britânica pela de seu país.
Com a mesma ousadia, Luzia escalou o Dedo de Deus, decisão tomada quando soube que um grupo de amigos iria fazer uma investida ao cume do pico, onde nenhuma mulher até então havia colocado os pés. “Não queria que uma estrangeira levasse o título de primeira mulher a subir o Dedo de Deus”, revelou Luzia em uma entrevista concedida ao site O Eco. Para ser aceita no grupo, ela precisou passar por alguns testes: subiu primeiro a trilha da Pedra da Gávea e, na semana seguinte, enfrentou a Chaminé do Morcego, no Morro do Cantagalo. Aprovada nos testes, só restava então o desafio do Dedo de Deus. “Foi uma escalada bem difícil. A gente não pensava nos riscos que corria. Desafiávamos o perigo para só depois perceber o que tínhamos feito”, lembrou. E sempre de saia e calção por baixo, como as moças usavam então. “Mulher de calça era chamada de mulher-homem”.
O pico do Dedo de Deus fica entre o Rio de Janeiro e Teresópolis, mais precisamente no município de Guapimirim, para onde Luzia e seus amigos, alguns dias mais tarde, embarcaram no trem para Teresópolis. Já na serra, o grupo de escaladores pediu ao maquinista que desacelerasse, arremessou as mochilas e saltou para fora do trem. Eram 8 da manhã quando começou mais uma etapa da aventura de Luzia e seus amigos – desta vez de calça, já que não havia mais ninguém na trilha.
O cume do Dedo de Deus foi conquistado pela via Teixeira (3º III+) em 8 de abril de 1912, pelo pernambucano José Teixeira Guimarães, acompanhado por Raul Carneiro e mais os irmãos Oliveira: José Américo, Accacio José e Alexandre José. Essa mesma via, 21 anos mais tarde, foi utilizada para a ascensão do grupo de Luzia montanha acima, o que foi feito com com bastante dificuldade. No lugar das cordas de sisal, que davam segurança aos escaladores desde a conquista do pico, o grupo já usava cabos de aço, sendo que muitos deles foram fixados na esclada em que Luzia participou. O equipamento era bastante precário em comparação com o atual. Ainda não havia sapatilhas de escalada com solado de borracha. Escalava-se com sandálias de sola de corda trançada, chamadas “china-pau”, segundo ela. Para percorrer as trilhas fechadas, botas com pregos na sola.
Às 8 horas da noite de 30 de setembro de 1933, Luzia atingiu os 1.675 metros do cume do Dedo de Deus com seus quatro amigos: David Couto, Mario Barroso Filho, Morgan Thomas e Alfredo Mello. Eles eram conhecidos como o “Grupo do Prego” no Centro Excursionista Brasileiro (CEB), o mais antigo clube de montanhismo da América do Sul. Seu irmão e uma amiga que os acompanhavam desistiram da escalada e precisaram pernoitar num platô. “Minha mãe só deixou que eu fosse nessa aventura se meu irmão e outra mulher estivessem comigo. A menina não agüentou e teve que parar”, explicou.
Era noite de lua cheia e por sorte não fazia muito frio. Agitados e animados, eles passaram a noite no topo da montanha. “Minha água vazou do cantil e molhou o cobertor que levei. Mesmo se estivesse seco, eu não teria conseguido dormir. Ninguém dormia”. Às 2h da manhã, Luzia descobriu que sua conquista foi pioneira por um triz: um outro grupo atingiu o cume do Dedo de Deus. E nele estava uma mulher alemã.
Foi assim que Luzia de Freitas Caracciolo tornou-se parte da história do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e do montanhismo brasileiro. O Parque, por sua vez, também ficou gravado na história de Luzia não só pela conquista daquela noite mas também porque se casou com um dos seus companheiros de escalada: Morgan Thomas. A lua-de-mel não poderia ter sido em outro lugar e, em julho de 1937, Luzia e Morgan voltaram ao cume do Dedo de Deus.
Luzia fez várias outras escaladas na região do parque e arredores. Só parou de escalar quando nasceu seu primeiro filho, em 1940. Mesmo deixando o montanhismo, não conseguiu ficar parada por muito tempo. Além de velejar por muitos anos, Luzia começou a praticar natação, esporte a que se dedicou exclusivamente nos últimos anos de sua vida, acumulando diversas medalhas. Sua última conquista nesse esporte, espantosa por sinal (parece que espanto é uma palavra recorrente no caso de Luzia), foi em junho de 2004 no 10º Campeonato Mundial de Masters de Natação em Riccione, na Itália, em que conquistou em sua categoria cinco medalhas de ouro, nas modalidades de 200, 100 e 50 metros costas, e 100 e 50 metros peito.
Luzia costumava dizer que a dedicação aos treinos e competições acabava comprometida pelos afazeres da rotina, como bordar, fazer bolos, cuidar da casa no alto do Cafubá, em Piratininga, Niterói, e de seus três cachorros. “Meu tempo é pouco para fazer tudo”, disse durante a entrevista. Mas seus comentários não eram queixas, garantia. Luzia emanava uma energia vibrante e demonstrava uma grande alegria de viver. Seu segredo, segundo ela, era continuar reinventando a vida, de uma maneira simples e saudável: “Mordomia deixa a gente mole. A gente não pode é parar!”
Em tempo: Luzia faleceu poucos dias antes do seu feito completar 72 anos. Certamente outras mulheres escalavam em 1933, mas somente dona Luzia teve o gostinho de ser a primeira garota no cume do Dedo de Deus.
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Eu
conheci a Mulher Maravilha: Luzia Caracciolo, que adormeceu para sempre dia 27, aos 91 anos |
| Talvez eu tenha até conhecido dona Luzia Caracciolo um pouco antes, mas só descobri que criatura extraordinária era a amiga da Mamãe quando, em 1994, aluguei um carro nos EUA e fui, junto com meu filho Paulinho, assistir ao Campeonato Mundial de Natação Masters em Montréal. Na época Mamãe estava com 70 anos e dona Luzia, com 80 -- mas tinham, ambas, muito mais energia do que o Paulinho e eu juntos. Depois de participar das várias provas em que estavam inscritas, ainda rodavam pela cidade, curtiam o festival de jazz, aproveitavam a noite. O hotel em que estávamos, reservado através de uma agência de viagens bem-intencionada mas mal informada, ficava em plena zona. Paulinho e eu vivíamos de pé atrás com a vizinhança de junkies e tipos esquisitos; Mamãe e dona Luzia apenas achavam que o Canadá era mesmo um país estranho, muito diferente do Brasil. Nossa última noite na cidade foi típica. Depois de fazer as malas, elas descobriram que ainda precisavam comprar presentes para algumas amigas. Eram três da manhã e, na esquina, havia um misto de drogaria e supermercado 24 horas. Pois lá ficaram as duas, em seus uniformes esportivos, examinando cuidadosamente os vários tons de rosa dos batons e esmaltes que queriam, para completo espanto dos habitués da casa, cobertos de tatuagens, piercings e correntes. Mal sabiam eles quem eram aquelas velhinhas inocentes, de aparência frágil... Entre outras glórias, dona Luzia foi a primeira mulher a escalar o Dedo de Deus, nos idos de 1933, quando senhoras não faziam essas coisas. A energia que a moveu naquela escalada ainda estava muito presente no ano passado, quando, aproveitando uma brecha no Campeonato de Natação Masters em Riccione, Itália, fomos a San Marino, que é uma subida só. Como de hábito, ela e Mamãe dispararam na frente, enquanto eu seguia atrás, esbaforida; e como em Montréal, dez anos antes, a colheita esportiva foi farta. Dona Luzia voltou ao Brasil com cinco medalhas de ouro. Na terça passada, dia 27, feliz e cheia de idéias em relação à nova casa que construía, dona Luzia foi dormir — e não acordou mais. Estava com 91 anos. Vai fazer muita falta no próximo Mundial de Masters, no ano que vem, em São Francisco, para o qual já estava fazendo planos com as amigas, as maravilhosas sereias vintage da nossa natação masters. Viveu como pouca gente, e sabia disso: — Fiz o que eu queria. Prestei atenção na vida e fui recompensada. Cora
Rónai - Jornal O Globo, Segundo Caderno, 06/10/2005 |
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Existe
uma Luzia Caracciolo "de calças" nos EUA. O nome
dele é Stimson Bulitt, um senhor de uns
85 anos que manda muito bem em rocha, sobretudo escalada técnica.
Confiram o texto 'Terceira Idade é o C@#$%*^$ !' e
fotos na seção de ARTIGOS do ViaCrux do dia 29/07/2004.
Para quem já leu o texto, que está longe ainda de qualquer
perfeição, ele sofreu algumas mudanças consideráveis
e vale a pena conferí-lo novamente. |
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26/10/05: Fim de ano cheio de eventos de escalada. Mais um, dessa vez em Itajubá, o primeiro Plastic Rock! O evento vai acontecer no dia 05/11 (Sábado), anotem na agenda e aproveitem para conhecer o que Itajubá tem de em termos de rocha!
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1º
Plastic Rock |
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Programação:
Dia 05/11/2005 |
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| 15:00 hs | Inauguração da Cave Aldeia | ||
| 16:00 hs | Técnica e evolução na escalada esportiva com Fabio Muniz | ||
| 17:00 hs | Palestra Cerro Torre com Edmilson Padilha | ||
| 18:00 hs | Videos do escalada.rr.nu. | ||
| 19:00 hs | Escalada X festa eletrônica com Eliseu Frechou (Piton Head) e PAIX (PEACEchodelic) | ||
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Programação:
Dia 06/11/2005 |
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Escalada
em Rocha!!! Piedade, Vermelha, Paraíso e Tucano. |
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[Início]
Lançado o número 86 da Revista Mountain Voices
26/10/05: E a edição nº 86 da revista Mountain Voices já está disponível no mercado!
Assine aqui !
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Em setembro, a V Mostra Internacional de Filmes de Montanha - Banff Festival
2005
26/08/04:
Esse ano promete mais uma vez: o Cine
Odeon no Centro do Rio de Janeiro, irá sediar, nos dias 04 e
05 de novembro a V
Mostra Internacional de Filmes de Montanha, celebrando o espírito
de aventura nas produções ligadas aos esportes de montanha,
e será exibida pela quinta vez no Rio de Janeiro. E o grande público
carioca terá a oportunidade de conhecer mais uma vez os filmes vencedores
da 30ª edição Banff
Mountain Film Festival, realizado em 2005.
| Organização: |
9d Produções |
Direção
Geral: |
Alexandre Diniz & Larissa Cunha |
| Apoio: |
Equinox & Link Digital |
Promoção: |
Rádio
Cidade, Webventure
& Revista Aventura e Ação |
| Realização: |
9d Produções, Banff Centre, International Aliance For Mountain Film & FEMERJ |
|
V
Mostra Internacional de Filmes de Montanha 2005 |
|
| Local | |
| Endereço | Praça
Floriano, 7 - Cinelândia Centro . Rio de Janeiro, RJ |
| Telefone | (21) 2240-1093 |
| Data | 04
e 05 de novembro |
| Início das sessões | 17h,
19h e 21h |
| Início das Exposições | 04 de novembro (15h ) |
| Workshop |
05 de novembro (15h) |
| Informações | |
Há cinco anos o Brasil passou a fazer parte do circuito mundial do Festival. Atualmente sua programação vai além dos já consagrados filmes do Banff Mountain Film Festival, exibindo também, filmes Latino-americanos (Argentina e Chile); a já esperada Mostra Competitiva com filmes nacionais de produções amadoras ou profissionais; a exposição fotográfica da fotógrafa e escaladora Marcela Chaves; uma exposição de quadros com o tema montanha, mostrando que montanha também gosta de artes plásticas; a workshop do documentarista Márcio Bortolusso, apresentando vídeos e fotos da trajetória desse gênero de produção no Brasil, desde geniais pioneiros até as grandes produções modernas; e livros de esportes de aventura e montanha na livraria do Cine Odeon.
Mostra Competitiva
Novamente vai rolar a Mostra Competitiva de filmes nacionais, grande sucesso do festival do ano passado. Os filmes selecionados concorrerão ao Troféu Corcovado na categoria melhor filme nacional, eleito pelo voto popular. O primeiro e o segundo lugar, eleitos pelo voto popular, serão premiados com 2 e 4 horas, respectivamente, de estação para correção de cor, tape to tape, com mesa Da Vinci K2, do estúdio Link Digital. Abaixo relacionamos os filmes selecionados, em ordem alfabética e logo abaixo a programação de todos filmes da Mostra:
| Filmes Selecionados | Diretores | ||
| Aconcágua, | Vitor Negrete | ||
| Asas - um sonho carioca | Sylvestre Campe | ||
| Brasil Vertical 2 | Thiago Balen & Guilherme Zavaschi | ||
| Escalando em Cochamó | Maurício Tonto | ||
| Júnior | Priscila Botto & Christian Steinhauser | ||
| Zecaparaó | Alunos das oficinas de animação da Mostra de Vídeo Ambiental do Caparaó | ||
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Programação |
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Dia
04 de Novembro |
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| 15h
- Início das Exposições: |
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| Início |
Filme |
Esporte |
Tempo |
| 17h | Aconcágua | Montanhismo |
40' |
| ASAS – um sonho carioca | Vôo Livre |
45' |
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| Zecaparaó | Mountain Bike - Animação | 08' |
|
| 19h | Everest, sueños y realidad | Montanhismo |
75' |
| De Mar a Cordillera, Ojos del Salado | Mountain Bike | 14' |
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| Kite Illusion | Kite Surf e Kite Ski | 04´ |
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| 21h | Sinners | Esqui | 23' |
| African Fly By | B.A.S.E. Jumping e Escalada | 11' |
|
| Red Bull Rampage 3 | Mountain Bike | 21' |
|
| Burning Time | Esqui, Canoagem e B.A.S.E. Jumping | 23' |
|
| Psicobloc | Escalada | 08' |
|
| At the Ends of the Earth | Animação | 08' |
|
|
Dia
05 de Novembro |
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| 15h
- Início do Workshop de Produção de Imagens
de Montanha: |
|||
| Início |
Filme |
Esporte |
Tempo |
| 17h | Escalando em Cochamó | Escalada
|
43' |
| Júnior | Escalada
|
14' |
|
| Brasil Vertical 2 | Escalada
|
35' |
|
| 19h | Refugio Patagonia | Montanhismo
|
29' |
| Planeta Antártica | Expedição
|
65' |
|
| 21h | The Collective | Mountain
Bike |
15' |
| Alone across Australia | Expedição
|
51' |
|
| Soul Purpose | Esqui
e snowboard |
14' |
|
| Psicobloc - parte 2 | Escalada
|
11' |
|
| Bozhestvo - The God | Animação
|
04' |
|
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A última edição da Mostra em 2004 foi um sucesso, tanto de público como em sua organização. Para comprovar esse sucesso, confiram o texto Maratona de Escalada: IV Mostra de Filmes de Montanha 2004, cobertura dos 3 dias da Mostra 2004 publicada no ViaCrux na seção de ARTIGOS no dia 13/09/2004, e ainda vejam na mesma seção a galeria de fotos do evento, Galeria de Fotos do 1º Dia da IV Mostra de Filmes de Montanha 2004, publicada no mesmo dia.
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Júnior, o pequeno notável do Espírito Santo, agora
documentário
27/08/04:
O documentário "Júnior", dirigido pelos escaladores
Priscila Botto e Christian Steinhauser, foi selecionado para o II Festival
Filmes de Montanha do Rio de Janeiro, que acontecerá na V
Mostra Internacional de Filmes de Montanha/Banff
2005, que acontecerá nos dias 4 e 5 de novembro, no cinema Odeon
BR, que fica na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro.
O filme
vai passar no segundo dia da Mostra
(confira a programação completa na matéria anterior
sobre o Festival). É o segundo documentário de Priscila Botto,
que venceu a Mostra Competitiva do ano passado com o seu excelente "Cinqüentona
Galloti".
A conquista da Júnior, entre outras, foi relatada aqui no ViaCrux.
Para quem não leu, confira o texto 'Novas
Conquistas no Espírito Santo' do escalador André
ilha e fotos na seção de ARTIGOS do dia 26/04/2005.
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Sinopse
do Documentário "Júnior"(12 min, colorido, Mini DV, 2005) |
| Fevereiro de 2005, uma pequena e simpática montanha de nome "Júnior" é conquistada no norte Espírito Santo. Impressionados com a beleza do lugar e com o grande potencial para o turismo e esportes ao ar livre, os escaladores André Ilha, Christian Steinhauser, Kika Bradford, Priscila Botto e Yuri Berezovoy denunciam a utilização irresponsável dos recursos naturais da área, propondo uma "exploração sustentável" através do ecoturismo, sempre seguindo a ética do "Mínimo Impacto", e do turismo convencional. Dedicado a todos os "Juniores", a quem desejamos um planeta vivo, preservado e repleto de montanhas. |
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Priscila Botto: Jornalista e Montanhista. Diretora premiada do documentário " Cinqüentona Gallotti" (Melhor Filme do I Festival de Filmes de Montanha do RJ). Trabalhou na Pós Produção de diversos longas metragens entre eles "Surf Adventures", "O Homem do Ano" e "Redentor" e como Produtora Musical nos projetos "2 Filhos de Francisco - A História de Zezé di Camargo e Luciano", " Casseta e Planeta - A Taça do Mundo e Nossa", " Musica Libre", entre outros. Christian Steinhauser: Montanhista, conquistador de vias no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Bacharel em Ciências Sociais. Este é o seu primeiro trabalho como diretor. |
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