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Slack
Line
por Roberta Nunes
Fotos: Arquivo Roberta
Nunes, Corey Rich
& John Dickey
Todos os direitos sobre o texto e fotos são reservados.
De
base histórica completamente circense a slack line talvez seja
uma forma mais simples e moderna da corda bamba. Esta atividade já virou
um vício entre os escaladores do mundo inteiro, principalmente aqueles
que estão mais preocupados com a amplidão de seus limites. Sabe-se
que em 1907 um americano causou espanto em Colorado Springs, tamanha a peripécia
que armou. Seu nome era Ivy Baldwin, pertencia a uma
família circense e era especialista em corda bamba(cabo de aço).
Ele montou seu cabo entre duas torres de arenito tendo 200 metros de extensão
e a 180metros do chão!!! Em pleno Eldorado Cannyon, no Colorado, ainda
hoje é possível encontrar os restos de cabo de aço no topo
da torre Bastile na entrada deste parque.O mais sagaz de tudo, é que
esse personagem cruzava o cabo sem segurança alguma em uma trajetória
de vida dos 17 aos 82 anos, sem acidentes graves por puro prazer e evolução
pessoal.
Tive uma
iniciação da versão mais moderna, a slack line,
em minha primeira temporada na Patagônia, com os climbers americanos,
peritos no assunto. Meu primeiro mestre foi Charlie Fowler, que não tinha
o menor problema em deslizar por aquela cinta mesmo sem os dedos do pé,
perdidos em uma escalada no K2. Era uma fita tubular de espessura fina, tencionada
entre duas árvores por um sistema de tração, ficava a meio
metro do chão e de uma dificuldade quase eterna. Mas com bastante paciência
e persistência saíram os primeiros passos de algo que me dava à
sensação de levitar. Não foi difícil me motivar
cada vez mais e ser mais uma adepta a este jogo com o equilíbrio e o
balance do corpo.
Anos depois, no ano de 2000, quando estive em uma temporada escalando no Yosemite
Valley, Califórnia fiquei impressionada com o nível técnico
dos locais, sem falar das high lines, tenciondas por alguns dias em
alguns spots especiais, como o Lost Arrow e o Rostrum.
Tentei uma pequena cinta no Rostrum, que era utilizada para aquecimento, antes de aventurar-se na mais comprida de trinta metros aproximadamente. Ambas estavam a 300 metros do chão! Na primeira tentativa quase enfartei de susto... era uma sensação fortíssima! Mesmo estando completamente em segurança, o pavor era quase que absoluto com direito a muitos calafrios, mas ao mesmo tempo uma curiosidade de realmente tentar dominar aquela situação de uma forma leve e equilibrada me dominava.
Custou-me três vezes até eu realmente acreditar que era possível e tenho este momento marcadinho como algo mágico que me aconteceu. Serviu muito para me mostrar os níveis de concentração que podemos chegar e a maravilha que é ampliar nossos limites.
Para montar
uma slack line aconselho estar com alguém que conheça
e domine o assunto para não haver riscos de acidentes. Vale muito experimentar
esta atividade que joga com o nosso equilíbrio e concentração,
temperitos essências para a arte de escalar bem. Recomendo o vídeo
Master
of Stone V, para aquele friozinho na barriga garantido.
Roberta Nunes é curitibana, escala há onze anos e é patrocinada pela Snake, Vibram, Jasmine Alimentos e Kailash.