Morro dos Irmãos - Ipanema & Leblon, Rio de Janeiro . Foto: André Neves

Slacklining on the Beach!
Texto: André Neves
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01/06/05: Slacklining on the beach... hum, parece nome de drink, mas não é. Imagine a cena. Andando de bicicleta pela Praia de Ipanema, mais ou menos arrumado, todo atolado e com um dia ainda cheio de coisas para fazer, você vê dois amigos escaladores seus na areia da praia. E eles haviam acabado de montar um slackline entre dois coqueiros. E eles estão se divertindo no slackline! O que você faz?

1) finge que não os vê e passa batido.
2) acena para eles com um sorriso amarelo de inveja e passa batido.
3) encosta a bike em um dos coqueiros, e jogando tudo para o alto, fica descalço, arregaça a bainha do jeans e se acaba no slack.

Se você é uma pessoa completamente irresponsável, claro que você optou pelo item 3. E você escolheu a opção certa, meu caro amigo! E foi isso que um velho conhecido do site despudoradamente fez no dia em que as fotos abaixo foram tiradas.




E pelas fotos podemos perceber que slackline e praia nasceram um para o outro! Ainda mais com o belo Morro Dois Irmãos no fundo, com o Irmão Menor em primeiro e o Irmão Maior em segundo plano. As imagens também provam para os pessimistas que, sim, o Rio continua lindo e que não faltam coisas para fazer nessa cidade, até mesmo em dias meio nublados.

E o que demônios é um slackline? Como a escaladora Roberta Nunes bem definiu em seu pequeno artigo no ViaCrux [confiram a seção ARTIGOS do dia 01/02/2005], “slackline talvez seja uma forma mais simples e moderna da corda bamba”. Um verdadeiro vício de muitos escaladores mundo afora, a atividade começou a virar moda aqui faz uns 3 ou 4 anos atrás. A primeira vez que vi um slackline foi no Refúgio das Águas do escalador Sérgio Tartari nos Três Picos de Salinas, começava baixo e terminava altão no desnível do terreno. Diga-se de passagem, foi a primeira vez que levei um estabaco homérico de um, o primeiro de muitos. Fora as chicotadas de fita que doem pra cacete!





O material é simples. O mais básico pode consistir de uma fita tubular de espessura fina (existem algumas mais resistentes com costura dupla e um loop prático nas pontas) de um 12 ou mais metros, uma ou outra fita extra, alguns mosquetões, dois pontos de ancoragem fixos que podem ser dois postes, duas árvores, dois grampos, dois carros, dois elefantes, duas Wilza Carlas, não faltam opções, use sua criatividade. Utilizando um sistema de tração qualquer você retesa bem a fita entre esses dois pontos de ancoragem. Quanto mais “tosco” o seu sistema de tração, geralmente mais força bruta de braço para retesar bem a fita.

Slacklines podem ser montadas tanto a 1 metro como a 300 metros ou mais do chão (nesse último caso, geralmente a pessoa está de baudrier devidamente “ancorada” na fita através de uma solteira). Não importa a altura, o mais importante é o exercício de “equilíbrio e concentração, temperitos essências para a arte de escalar bem”, segundo ainda Roberta. “E para montar uma slackline aconselho estar com alguém que conheça e domine o assunto para não haver riscos de acidentes”, ela completa.

E não se trata de andar pra lá e pra cá, pra lá e pra cá pela fita. Com o tempo, o slackliner adquire outras habilidades na fita até virar um master: cambalhotas, piruetas, viradas dramáticas, andar de costas, salto duplo twist carpado, ponto de nó e cruz, e vai por aí.





E a atividade, para quem acha que toda a conversa de equilíbrio e concentração é bobagem, coisa para gringo ver, relaxe meu camarada e divirta-se! O slackline é isso tudo sim, mas também pode ser um excelente e divertido passatempo em inúmeras ocasiões: dia de descanso entre uma escalada e outra, fechar bem um dia de escalada, esperando o tempo abrir para escalar, etc. Não faltam boas razões para você desenterrar o seu do fundo da do armário, da mochila ou da barraca e mandar ver na fita.

Vale lembrar os incautos, no caso de montagem do slackline na praia: aqueles palitos que seguram as redes de volei não são muito lá católicos como pontos de ancoragem. Para quem não visualizou o erro, os palitos começam a se inclinar com o peso em direção da pessoa no slack, deixando a fita mais frouxa. A cena é ridícula! Leve ainda em conta o perigo de um deles desabar em cima do pobre slackliner. Um segundo aviso: evite horas movimentadas no calçadão se não quiser escutar perguntas do tipo "vocês são do circo?" e quiser evitar um aluguel eterno de galera haule querendo entrar no seu slack. Sai fora, haule!

E mais "slacklining urbano" no Rio de Janeiro, como vocês podem ver nas imagens logo abaixo (cortesia do EscaladaBr.com.br). Dessa vez a paisagem não é tão deslumbrante como a de Ipanema e os Dois Irmãos, porém o slackline montado é mais cavernoso. Essa highline, como são chamados os slacks montados em grandes alturas, foi montado na Barra da Tijuca, entre a Ponte Lúcio Costa e uma outra ponte. Ao todo, um 15 metros de fita a uma altura de 12 metros até o chão.



E abaixo algumas cenas de slackline de verdade. As da agradável tarde na Praia de Ipanema, apesar do verdadeiro esforço e do empenho, foram impregnadas de momentos de pura inabilidade, fanfarronice e diversão.





Em tempo, a tarde em questão foi a minha volta nada triunfal ao slackline depois de 2 anos de abandono da prática. Aliás, no mesmo dia tratei de tirar a poeira do meu, pobrezinho, jogado atrás do murinho de escalada!

Aliás, aguardem! Num futuro próximo teremos o Guia de Escalada da Zona Sul do Rio de Janeiro, que já está no forno e que abrangerá toda essa região e suas montanhas, Morro Dois Irmãos incluso com suas clássicas e belas vias.

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