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![]() Pablo Ximenez na via Triste Consuelo (8c) - Bananal, Niterói . Foto: Arquivo Daniel "Olho" |
Velha
Fórmula:
Escaladas no Bananal e no Oriente em Niterói
Texto: Fábio
Muniz
Fotos: Arquivos Daniel "Olho", Marcelo Vianna, Ralf Côrtes
Marcela Chaves, Silvia Bahadian, Pedro Gomes e Gabriela Saliba
Todos os direitos sobre o texto e fotos são reservados.
15/12/05: Rio de janeiro, final de primavera, frentes-frias vindo e seguindo, calor chegando. Nunca foi muito diferente. Para escalar aqui nessa época do ano o sujeito tem que saber administrar: humidade, ardência nos dedos, locais com mosquitos... Hei, calma ai! Quem souber procurar, encontrará locais bons, bonitos, com ventinho e sombra pra escalar bastante!
O Bananal e o Oriente, que ficam em Itacoatiara, são alguns deles. Foi nesse esquema que saiu pra min a via To Bote or Not Subir (10a) **, que é a via mais difícil de Niterói. A cadena veio no domingo do primeiro fim de semana nesse mês de dezembro. Usei aquela "velha fórmula" de esperar uma chuva forte de "verão" que lavesse bem a pedra da maresia e mais o ventinho do dia seguinte, situação que acontece normalmente entre uma frente fria e outra.
Lembrei-me então da via Southern Comfort na Urca, a famosa Via do Alemão: pressão, precisão e... de preferência rocha seca. O dia estava perfeito e com vento frio. Guardadas as devidas proporções (no que diz respeito ao tamanho), podemos comparar em conjunto as exigências dessas duas vias, só que ao contrário da Via do Alemão, o final da To Bote é fatal, tendo que se concentrar e fazer as passadas perfeitamente. São aproximadamente 12 metros de via, que começa um pouco negativa nas suas 6 primeiras proteções (um 8c contínuo e sem descanço para sequência final) e tende ao vertical nas 2 últimas com agarras bem pequenas (um 8c de boulder forte).
Tinha entrado nela uma vez em 1999 com o Fernando da Motta, o "Nando" e com o Ralf Côrtes (outros dois encadenadores da via), e depois duas vezes no ano passado com o Guilherme Quacchia de Piratininga. Foi então nesse mesmo fim de semana, enquanto a equipava e trabalhava seus movimentos, que percebi que podia mandá-la. Fiquei bem motivado pelas sensações nas passadas e pelas condições já mencionadas. Desci com "aquela" vontade de encadenar!
Não vinha treinando muita resistência, e sim fazendo uns boulderes pelo Oriente (área de boulder próxima bem bonita no lado direito da Praia de Itacoatiara) e escalando em muro. A força e a pele - a rocha no local é bem abrasiva - que vinha adquirindo no entanto foi o suficiente. A via é "estamina" pura. Depois de um tranqüilo descanço e visualizar bastante a via, tendo a segurança de um amigo antigo de Petrô (o Pedrinho), a encadenei com uma sensação muito boa de domínio e mais aquela ligação das últimas passadas.
Essa cadena confirma uma maneira de escalar que venho aprendendo à desfrutar. Isso seria uma outra velha fórmula: seguir um pouco a intuição e deixar que as vias "venham" pra você. Parece um pouco estranho, mas isso acontece. Muitos que já escalam há bastante tempo e percebem a liberdade na escalada podem adquirir essa sensibilidade. A intensidade de cada experiência e o tempo nos retribuem com isso. Nesse mesmo dia, junto com o Juarez e o Vicente (dois escaladores locais) tive também a oportunidade de encadenar o projeto Triste Clitóris, um 9a bem explosivo (junção das vias Triste Consuelo e Clitóris). Ótima via, que depois da metade tem umas passadas típicas de negativão e lance bem forte para fechar.
Bem, nesse tempo que tenho passado em Niterói, tenho feito um reconhecimento dessas duas áreas (Oriente e Bananal) e acho que já deveriam terem sido melhor divulgadas. Há muita coisa boa para se fazer, de boulderes a fendas. Desde a época em que o Ricardo Linhares e o Ralf Côrtes começaram a explorar o local pouco se divulgou na mídia. Tenho que salientar que a condição das proteções de algumas (muitas) vias está precária. É necessário que ocorra uma regrampeação e um apoio da FEMERJ e dos clubes viria em boa hora. Indico bem resumidamente algumas vias:
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Oriente |
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| Jonny
Walker (travessia) |
8c |
| Velho Barreiro | 8c (projeto que encadenei recentemente) |
| Gogo (highball) | 7b |
| Palhacitos | 8b |
| Aquarius | 8c |
|
Bananal |
|
|
Setor
1 |
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| Trite
Consolo |
7c |
| Clitóris | 8 b/c |
| To Bote or Not Subir | 10a |
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Setor
2 |
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| Bromimbondo | 6a E3 (esportiva tradicional) |
| Elfos | 8b E2 |
| Endurance | Projeto (9a?): na Agulha Guariche (logo acima do Bananal) |
| Red
Bull |
7c |
Para ir lá combine de escalar com algum local ou quem conhece a área pois não há um guia. Tudo muito fácil e rápido de se chegar. E sem essa de reclamar da distância pois vai escalar em lugares com muita natureza ao redor pra relaxar, e bem diferente do Rio.
Fábio Muniz é petropolitano, escala há quatorze anos e é patrocinado pela Equinox .
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Nota do ViaCrux: Nando e Ralf sugeriram na época da cadena
da via o grau de 10b, levando em conta o fato de que eles achavam
que a via era mais difícil do que a Southern Comfort (10a)
na Urca. |
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