O Info Salinas é nada mais nada menos do que um informativo do que aconteceu e acontece em uma das mecas da escalada do Brasil, mais conhecida como região dos Três Picos de Salinas. A sugestão de implementar a página partiu do escalador Sérgio Poyares, um dos locais da região, que também é um dos contribuidores mais importantes desse trabalho.

Informações sobre novas conquistas de vias, modificações e restaurações em vias (com aprovação dos conquistadores ou da "entidade" responsável, claro!), croquis, artigos, estórias, fotos, tudo isso e provavelmente mais, vocês encontrarão aqui.

A zona de escalada dos Três Picos ficou conhecida no meio montanhístico apenas como Salinas, mas na verdade, Salinas é apenas um vale em direção oposta ao vale dos Três Picos. O nome pegou então, e a pergunta clássica de apelo quase irresistível ecooa em nossos ouvidos hora e outra: "Bora pra Salinas?" [Tradução: "Vamos escalar em Salinas?"], ou algo do gênero, variações em torno do mesmo tema.

As primeiras conquistas na região datam da década de 40, com a Caixa de Fósforos e a Pedra dos Milagres entre elas. Em 1946, foi conquistado o suntuoso Pico Maior, com a via Silvio Mendes (5º A1 E2), uma escalada muito audaciosa para as condições da época.

Nas décadas de 60 e 70, houve um grande interesse pela região, principalmente após 1965, com a conquista da Chaminé Pellegrini (6º VI A0 E3) no Pico Menor. A Pellegrini, com seus quase 400 metros de extensão e sendo uma escalada bastante exigente pela sua dificuldade, conta até hoje com poucas repetições.

No início dos anos 70, foram conquistadas a imponente via Face Leste (5º A0 6+ E3) do Pico Maior, com aproximadamente 700m de escalada, e também a via CERJ (5º A0 6c E2) no Pico do Capacete, com seus cerca de 400m ed extensão. Ambas, por sua longa extensão, foram muito valorizadas e constituem as vias da região mais freqüentadas pelos escaladores atualmente, eternos clássicos.

Entretanto, no início dos anos 80, em virtude da maior técnica e evolução dos equipamentos, um conceito novo de escalada foi adotado pela maioria dos escaladores da região: a "escalada limpa", cuja filosofia embasa-se em agredir o mínimo possível a natureza, utilizando-se ao máximo, de todos os sistemas de fendas e possibilidades naturais de proteção.

Na região, também são encontradas vias abertas em "estilo alpino", nas quais requer-se do escalador um apurado conhecimento de diferentes técnicas de montanha/escalada, como também um hábil manuseio de proteções móveis,e ainda especialmente, grande acuidade para identificar e ler as vias, a fim de evitar na escalada quaisquer eventuais sustos ou então, em conquistas de novas vias, o atropelamento ou alteração de vias já conquistadas anteriormente.

Hoje em dia, depois de uma década de 90 cheia de novas conquistas audaciosas e outras nem tanto, mas de igual beleza, a região dos Três Picos de Salinas continua a oferecer o que há de melhor em escalada: diferentes estilos, técnicas, exposição, entre outras coisas, e tudo isso em um dos cenários mais bonitos e exuberantes do Estado do Rio de Janeiro.

Então, bora pra Salinas?

Parte do texto acima gentilmente cedido pelo escalador Alexandre Portela, um dos autores do
Guia de Escaladas Três Picos, Vieira, Bonsucesso e Frades - 1a Edição, Janeiro de 1998
Autores: Alexandre Portela, Sérgio Tartari & Isabella de Paoli